quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

UM TEXTO QUE ALERTA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ECOLOGIA AGORA PARA ATÉ A CONTINUIDADE DA NOSSA VIDA ESCRITO PELO PESQUISADOR JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES COMO A MENSAGEM QUE PODE NOS LEVAR A UMA VIRADA NÃO SÓ DE ANO

O que acontecer com a natureza, acontecerá com a gente
 
O escritor francês Victor Hugo já advertia ainda por volta de 1880 sobre um erro que ainda continua: "É triste pensar que a natureza fala mas o ser humano não a ouve" 


ego x eco
O ser humano depende da natureza e não o contrário como se acredita...


Estamos colocando em foco aqui no blog do movimento ecológico, científico, de cidadania e da não violência Folha Verde News, chegando hoje a quase 502 mil visualizações ao longo de 7 anos, pela medição da Google, este texto de José Eustáquio Diniz Alves, postado inicialmente no site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate, com o objetivo de divulgar o seu conteúdo, importante nesse momento estratégico da luta por um  desenvolvimento de verdade e assim por um futuro sustentável que precisamos todos juntos criar agora, equilibrando ecologia e economia para avançar nossa vida. Doutor José Eustáquio (ENCE/IBGE) ilumina com suas informações e inteligência essa virada de 2017 para 2018, a gente espera que possa estar virando também a criação duma nova realidade. A seguir, abrimos nossa webpágina para esta mensagem íntegra na íntegra para estimular não só a reflexão mas a ação de todo nosso movimento: pelo visto, teremos que radicalizar, aprofundar mudar o rumo ao máximo para que não ocorra o caos do ambiente e do clima, com o ecocídio que  levará a extinção também de nossa espécie de vida: o que acontecer com a natureza, acontecerá com a gente... 




"Preservar e conservar o meio ambiente são tarefas essenciais, pois a humanidade depende da natureza e não o contrário. As atividades econômicas necessárias para a sobrevivência do ser humano e a expansão do bem-estar das pessoas dependem da saúde dos ecossistemas. Sem ECOlogia não há ECOnomia. Preservação e conservação são termos diferentes, mas que podem ser equacionados em uma visão holística de sustentabilidade ecocêntrica. Preservação quer dizer proteção integral, ou seja, manter um determinado ecossistema intacto e sem interferência da ação humana (áreas anecúmenas). Conservação significa exploração das riquezas naturais, com avaliação de custos e benefícios, garantindo a sustentabilidade para as atuais e futuras gerações (áreas ecúmenas). O grande problema do mundo atual não é a diferença entre preservação e conservação, mas sim a predominância generalizada da degradação ambiental. O crescimento das atividades antrópicas aumentou muito desde o início do capitalismo industrial, energizado pelos combustíveis fósseis. Segundo o site Our World in Data, em 1820, cerca de 94% da população mundial vivia abaixo da linha da extrema pobreza, contra menos de 10% atualmente. Mas o crescimento exponencial ganhou momento depois da grande aceleração que aconteceu após a 2ª Guerra Mundial. A população mundial passou de 2,5 bilhões de habitantes em 1950 para 7,5 bilhões em 2017. Enquanto a população mundial triplicou de tamanho, a economia internacional foi multiplicada por 12 vezes. A renda per capita subiu 4 vezes. Ou seja, em 2016 havia 3 vezes mais gente no mundo, do que em 1950, e cada pessoa ganhava e consumia, em média, 4 vezes mais bens e serviços. Isto significa mais exploração e extração de recursos da natureza e mais poluição e descarte de resíduos tóxicos, sólidos e líquidos". 


 Confira a relação negativa do ser humano com a natureza...

...uma relação que já está chegando a uma situação limite


Continua o editorial da hora de José Eustáquio Diniz Alves
"A humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. A Global Footprint Network mostra que em 1961 havia superávit ambiental no mundo e as atividades antrópicas ocupavam apenas 73% da biocapacidade da Terra. Mas, com a grande aceleração do Antropoceno, a reserva ecológica foi sendo reduzida e, a partir de 1970, o superávit se transformou em déficit ambiental. Em 2013, a pegada ecológica per capita do mundo subiu para 2,87 gha e a biocapacidade caiu para 1,71 gha. As atividades antrópicas passaram a utilizar 168% da biocapacidade, ou seja, o déficit ambiental chegou a 68%, em 2013, e continua crescendo. Segundo o Stockholm Resilience Centre a humanidade já ultrapassou 4 das nove fronteiras planetárias. Duas delas, a Mudança Climática e a Integridade da Biosfera, são o que os cientistas chamam de limites fundamentais e tem o potencial para conduzir o equilíbrio homeostático do Sistema Terra ao colapso. Assim, o rumo atual da economia internacional é insustentável, pois o progresso humano ocorre às custas do retrocesso ambiental e sem os serviços ecossistêmicos e as contribuições da biodiversidade, é impossível manter o alto padrão de vida humana. Portanto, é preciso preservar as áreas anecúmenas e conservar as áreas ecúmenas. Além disto, é preciso ampliar as áreas anecúmenas (aumentar as áreas preservadas e sem a presença humana) e decrescer as áreas ecúmenas (conservando da melhor maneira possível o meio ambiente nas áreas com exploração antrópica sobre o meio ambiente). Por exemplo, não faz sentido, do ponto de vista da sustentabilidade, liberar a exploração de minério e de petróleo no Ártico, na Antártica e nos parques nacionais. Assim como não faz sentido aumentar a presença humana em territórios selvagens, quando o mundo caminha para a 6ª extinção em massa das espécies. As correntes que defendem a conservação ambiental são aquelas acreditam ser possível conciliar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) se encaixam nesta perspectiva. Porém, está cada vez mais difícil conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, pois:


– A concentração de CO2 já ultrapassou 400 ppm em 2014 e ultrapassou 410 ppm em abril de 2017. O nível seguro é 350 ppm

– A temperatura média global do planeta já ultrapassou 1,1 graus em relação ao período pré-industrial e o mundo caminha para a maior temperatura dos últimos 5 milhões de anos

– A última vez que a temperatura ultrapassou 2 graus o nível do mar subiu 6 metros,  e existem 2 bilhões de pessoas que vivem em áreas até 2 metros do nível do mar

– O degelo conjunto do Ártico e da Antártica bateu todos os recordes de baixa em março de 2017

– A acidificação dos oceanos está matando a vida marinha e um exemplo é a Grande Barreira de Corais da Austrália. Há sobrepesca e depleção dos estoques de peixe

– Os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050

– Houve queda de 58% na população de animais selvagens no mundo entre 1970 e 2012: até 2020, a perda pode alcançar a impressionante cifra de dois terços, ou seja, 2 em cada 3 animais estarão extintos num período de 50 anos

– A degradação do permafrost pode liberar metano e CO2 capaz de gerar uma situação apocalíptica.



"Diante deste quatro de degradação ambiental fica difícil acreditar na possibilidade de manter o rumo do desenvolvimento com a conservação ambiental. O atual impasse que o mundo passa hoje poderia ter sido evitado se tivesse os autores do século XIX que alertaram para os perigos da racionalidade instrumental que via a natureza apenas como meio de enriquecimento humano, sem se importar com os direitos intrínsecos da natureza. O enriquecimento humano não pode se dar em função do empobrecimento ecológico. O ser humano não tem uma relação simbiótica com a natureza. As abelhas, por exemplo, sugam a seiva das flores, mas não as destroem. Ao contrário, elas são polinizadoras. Quanto mais abelhas sugarem o néctar das flores, mais flores nascerão do processo de polinização. Mas o ser humano tem uma relação parasitária com a natureza, pois para se multiplicar causa prejuízo a outras espécies e aos ecossistemas hospedeiros. A espécie humana é do gênero ectoparasita. Um ectoparasita que está matando o seu próprio hospedeiro. A humanidade vive do parasitismo ecológico e está provocando um holocausto biológico. Autores como Alexander von Humboldt (1769-1859), Henry David Thoreau (1817-1862) e John Muir (1838-1914) foram grandes defensores da natureza, da preservação ambiental e de uma relação mais simbiótica entre todos os seres vivos da Terra. Estes autores também foram inspiradores da Ecologia Profunda (Deep Ecology), que é uma corrente preservacionista. A Ecologia Profunda é um conceito filosófico que considera que todos os elementos vivos da natureza devem ser respeitados, assim como deve ser garantido o equilíbrio da biosfera. O termo surgiu quando, em 1972, foi publicado o artigo “The shallow and the deep, long range ecology movement. A summary”, do filósofo e ambientalista norueguês Arne Naess (1912-2009). Ele distinguiu as correntes ambientais entre movimentos superficiais ou rasos (com tendência antropocêntrica e egocêntrica) e movimentos profundos (não antropocêntricos, mas ecocêntricos). Os movimentos rasos (ou maquiagem verde) limitam-se a tentar minimizar os problemas ambientais e garantir o enriquecimento das sucessivas gerações humanas (a despeito do empobrecimento da natureza), enquanto a Ecologia Profunda vai na raiz dos problemas ambientais e defende os direitos de toda a comunidade biótica. Na definição do físico, ambientalista e escritor Fritjof Capra (nascido em 1939): “A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de ‘uso’, à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos – ou qualquer outra coisa – do meio ambiente natural. Ela vê o mundo, não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida”. Há 10.000 anos os seres humanos e seus animais representavam menos de um décimo de um por cento da biomassa dos vertebrados da terra. Agora, eles são 97 por cento. O biólogo da Universidade de Harvard, Edward Osborne Wilson acredita que o ser humano está provocando um holocausto biológico e para evitar a extinção em massa de espécies, ele propõe uma estratégia para destinar METADE DO PLANETA exclusivamente para a proteção dos animais. Isto significa preservar metade da área do planeta e conservar a outra metade. É preciso reselvagerizar o mundo. Desta forma, preservação ambiental não é “mito moderno da natureza intocada”, mas sim uma postura ética de respeito à natureza e a favor da sustentabilidade ecocêntrica. A conservação é importante na perspectiva de diminuição das áreas ecúmenas, por meio do decrescimento demoeconômico. Preservar a natureza e conter a expansão humana sobre os ecossistemas visa não só evitar o ecocídio, mas também evitar o suicídio, pois a humanidade não pode viver sem a natureza e sem respeitar o equilíbrio homeostático do clima" (Dr. José Eustáquio Diniz Alves, EcoDebate)

José Eustáquio: um cientista falando em nome da natureza

Para que o ser humano avance e sobreviva


Fontes: www.ecodebate.com.br
            www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. O site Pensamento Verde dentro deste tema está comentando que "Povos antigos já acreditavam que a Terra é um organismo vivo, onde tudo é diretamente interligado. De fato, vários sistemas do planeta são interligados e responsáveis pela manutenção da biosfera. Isso é visto nas correntes marítimas e de ventos que influenciam o clima do mundo todo, por exemplo. As florestas renovam o oxigênio constantemente, bem como ajudam a diminuir a temperatura do planeta. Mas com a constante influência do ser humano no meio ambiente, alguns desses sistemas têm sido drasticamente modificados e desequilibrados".

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  2. O termo Ecocídio foi usado pela primeira vez para definir o dano ambiental causado por uma ou mais espécies que causam mudanças no ecossistema. Foi utilizado para definir o evento do período Pré-Cambriano, onde as cianobactérias modificaram a atmosfera terrestre quando liberaram grandes quantidades de oxigênio, matando parte dos organismos não adaptados.

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  3. Esta expressão é também usada por especialistas em ecologia para definir a destruição em larga escala do meio ambiente, o que inclui exploração excessiva de recursos não renováveis, tais como, desmatamento, poluição do ar e das águas, entre outras formas de destruição massiva da natureza. Tais mudanças drásticas no cenário ambiental podem levar ao desequilíbrio do ecossistema, causando grandes impactos ambientais por todo o mundo. E levando à destruição da nossa espécie de vida.

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  4. "A espécie humana está cometendo um ecocídio com os efeitos da civilização industrial no aquecimento global. Conforme mostram os estudos realizados por ele, desde o início da segunda Era Industrial, quando combustíveis fósseis e recursos minerais não renováveis começaram a ser utilizados em larga escala, a temperatura global tem aumentado lenta e gradativamente. Isso pode ser observado pela diminuição das calotas polares nos últimos cinquenta anos, bem como a maior ocorrência de fenômenos ligados ao clima, como tempestades e ciclones, são os sinais que precisamos saber interpretar": comentário do escritor e ativista ambiental Patrick Hossay no seu livro Unsustainable:A primer for global environmental and Social Justic


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  5. "O Ecocídio é tema que vem sendo cada vez mais discutido, inclusive por grandes líderes mundiais em eventos como o Rio+20, realizado no Rio de Janeiro em 2012 que acompanhei ao vivo. Assim, os preceitos de Hossay citados aqui são tidos como fundamentos do movimento ambientalista. O texto de hoje no blog é ótimo nesse sentido": comentário de Humberto Morais, jornalista especializado na editoria de Meio Ambiente, Vitória (ES).

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  6. Coloque direto aqui a sua mensagem ou se precisar ou preferir envie por e-mail para a redação do nosso blog via o endereço navepad@netsite.com.br e/ou então mande sua mensagem, vídeo, foto, charges para nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  7. "Estou copiando toda esta edição deste blog e vou levar para minhas amigas e amigos que estudam Biologia e Psicologia na Unesp em Assis": comentário de Luiza Helena Passos, que é de Uberaba (MG)e nos manda um artigo "Ser ecologista é essencial". Vamos sim divulgar junto ao nosso movimento, paz aí.

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  8. "Entendi, com tantas informações pesadas hoje no blo, um videoclip suave, com Fernanda Takai na canção do Milton Nascimento e Fernando Brandt, tem tudo a ver a poesia para amenizar o momento de tanta gravidade": comentário de Isabella Moreira, de Ribeirão Preto (SP), estudante da USP.

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