terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

VÍTIMAS DE CENSURA NO PASSADO OS SAMBAS ENREDO SALVAM O CARNAVAL APESAR DA CRISE OU DA VIOLÊNCIA E DE TODOS OS PESARES OU PRAZERES DO PAÍS E DA VIDA AGORA


Nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo  alguns sambas enredo ficarão na memória, agitaram a galera e esse lado cultural é o melhor do carnaval: teve até protestos contra a corrupção e contra políticos da atualidade resgatando uma tradição crítica da cultura popular brasileira

O vampiro neoliberalista deixou clara a sua crítica

O Brasil e a América Latina mostraram a sua cara

 
Maior destaque com repercussão internacional, segundo também a agência France Press foram os protestos contra o governo que marcaram o desfile da escola de samba Paraíso da Tuiuti, retratando a história do Brasil sob o ponto de vista dos explorados e trazendo figuras e mensagens da realidade, até mesmo simbolizando o presidente Michel Temer e a condição de vida dos negros, na redes sociais a repercussão foi bombástica. A forte crítica social e política aumentou a importância desta escola neste carnaval, talvez o destaque maior no sambódromo do Rio de Janeiro em 2018. Enquete do site Uol, a Paraíso de Tuiuti é favorita para ser campeã do carnaval deste ano, com 78,88% dos votos de internautas. Porém, possivelmente, os jurados e a grande mídia vão escolher outra escola ou outro samba enredo que incomoda menos do que este, intitulado "Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta A Escravidão?"...Foi uma reflexão sobre o Brasil do ponto de vista dos explorados, dos fracos, dos oprimidos, do passado até os dias atuais. A ousadia chegou ao ápice com um sambista com a faixa presidencial, numa alusão explícita a Michel Temer, através deste personagem identificado como "vampiro neoliberalista". Havia ainda dentro de todo esse protesto e manifestação crítica, a ala dos "manifestoches", com passistas fantasiados de patos. Referência aos profissionais da grande mídia?...Críticas também ao trabalho escravo e à reforma trabalhista do governo. No topo do último carro da escola com uma liberdade de manifestação que surpreendeu a Marquês de Sapucaí, o vampiro representado por um professor de história, Leo Morais que não disfarçou sua revolta: "Este protesto é uma retomada dos enredos críticos que fazem parte da cultura do carnaval, a gente está hoje num momento que tem que gritar mesmo". Ele ainda aproveitou um microfone de rádio e disse que "o atual presidente do país atingiu 90% de rejeição e não tem porque a gente se calar diante disso". O clima no camarote da Rede Globo, de onde Fátima Bernardes, Alex Escobar e Milton Cunha narravam o desfile, foi de constrangimento e poucos comentários, especialmente diante da ala onde os “manifestoches”, que teriam sofrido manipulação da mídia.

Sambas enredos foram censurados na época ditatorial...

Agora em 2018 renasce o espírito crítico e o protesto nos sambas



Nos anos 70 e 80, enquanto ainda durava a Ditadura Militar no Brasil, alguns desfiles e personagens críticos e políticos eram censurados (confira na seção de comentários neste blog informações sobre isso), agora, pelo menos direta e explicitamente, não existe censura e então o desafile da escola de samba Paraíso da Tuiuti com certeza fez furor e fará história nos carnavais do Rio e do país (nesse conteúdo, confira o vídeo da Globo sobre esse desfile com todos os detalhes reapresentado aqui na TV Folha Verde News, OK?).  

Gaviões resgatou os índios Guarus que viviam na Grande São Paulo

No Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, rolou os desfiles das escolas de samba com Independente Tricolor , Peruche , Tucuruvi , Mancha Verde , Tatuapé , Rosas de Ouro e Tom Maior,  X-9 , Império de Casa Verde , Mocidade , Vai-Vai , Gaviões da Fiel , Dragões da Real e Vila Maria, com alguns momentos de criatividade e de crítica ou protesto também nas 14 escolas de São Paulo e na Marquês de Sapucaí, no Rio, o espetáculo mais cultural do samba teve Império Serrano , São Clemente , Vila Isabel , Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Mangueira e Mocidade se apresentando neste rirual de cultura popular brasileira, que ainda teve Unidos da Tijuca , Portela , União da Ilha , Salgueiro , Imperatriz e Beija-Flor, deixando na memória de nossa terra e de nossa gente fantasias e realidade, fantasmas e figuras reais, nem só sexo e violência marcaram os desfiles no Brasil, escolas de samba mostrando que estão vivas em 2018, quando parece estar renascendo no calor do samba a ginga criativa dos brasileiros e brasileiras que precisam mesmo se manifestar para mudar e avançar nosso país e nossa vida. 
Artistas e jogadores de futebol apoiando a festa popular com selfies


Trechos de alguns dos sambas enredo que agitaram o carnaval
Com tantas musas, alegorias e fantasias, não podemos esquecer que o samba enredo é o fator principal para uma escola se consagrar e se comunicar..Só para exemplificar, aqui alguns trechos de sambas que bombaram na avenida, como dos Acadêmicos do Tatuapé, cantando raízes do povo no seu refrão "Ô Luar, ô Luar. Deixa a gira girar... Crioula, hoje tem canjerê, feitiçaria, ô jejê - nagô, kaô meu pai xangô". A Rosas de Ouro não deixou por menos  e botou na avenida (no Anhembi) uma manifestação poética sobre a vida dos caminhoneiros: "Pelas estradas da vida, sonhos e aventuras de um herói brasileiro" e esta escola sonha em repetir com esse tema 2010, quando foi a campeão do carnaval paulista e a escola Dragões da Real bateu na trave e quase levou o título do grupo especial no ano passado, por isso, em 2018 a agremiação veio com um grande apelo popular, falando sobre a música sertaneja com o enredo "'Minha música, minha raíz. Abram a porteira para essa gente caipira e feliz". Com o amor de metade da população e ódio ou preconceito de outros 50% dos amantes do samba em Sampa. a Gaviões da Fiel, dona de muitos títulos, como o samba antológico de 1995, agora amargando um jejum sem vencer a competição há 15 anos, trouxe no seu samba enredo os índios Guarus, ancestrais da cidade de Guarulhos, que eram ligados aos Tuopinambás. Com 5 títulos nos últimos 10 anos, a Mocidade Alegre faz homenagem à cantora Alcione: "A voz Marrom que não deixa o samba morrer" é o samba desta agremiação agora. No Rio de Janeiro, vale destacar o trabalho cultural e de pesquisa que sempre destaca a Mocidade Independente de Padre Miguel, que venceu lado a lado com a Portela em 2017.  Agora neste ano, a escola do Boni vem ainda mais forte, começando pelo seu samba-enredo, que promete agitar, mais uma vez a Sapucaí, com o enredo "Namastê... a estrela que habita em mim saúda a que existe em você".Por sua vez, com um brilho similar, a Beija-Flor é uma escola que coleciona sambas memoráveis e pode ser que isso se repita com o de 2018. Na voz do intérprete Neguinho da Beija-Flor, veio com o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu" na busca pelo seu 14º título. As chances são grandes, mas a concorrência também, se bem, que foi mais um enredo com aquele tempero de crítica e de protesto sempre importante.Foi o caso também da Paraíso de Tuiuti (que destcamos em especial aqui na abertura deste post em nosso blog). Ano passado, esta ecola foi marcada por um grave acidente na Sapucaí, agora, fez um samba enredo que agitou o sambódromo, os corações e as mentes de todo o país (e de vários países, na verdade), falando sobre tudo o que incomoda na realidade brasileira atual, a partir dum enfoque básico sobre escrevidão, não perdoando os políticos da atualidade sofrida da nossa gente. Vamos citar ainda aqui a escola Mangueira, a Estação Primeira, que é uma das mais tradicionais representantes do samba do Rio, tentando nesse ano seu 20º título de campeã e desta vez, cutucando em especial o prefeito carioca, o evangélico Marcelo Crivella, que assumiu publicamente não gostar de carnaval: tem uma parte do samba enredo que diz  "Eu sou Mangueira meu senhor, sou Universal", criticando claro este político que cortou pela metade as verbas das agremiações cariocas. Fechando aqui este material de informação, resta falar da Imperatriz Leopoldinense, enfocando "Uma noite real no Museu Nacional". Enfim, conteúdos e formas que revelam que o samba enredo está muito vivo e até resgatando o espírito crítico e os protestos, tornam o carnaval mais popular e de maior valor, um ritual ou uma festa, que tem a ver com nossos sonhos e nossa realidade. (Antônio de Pádua Silva Padinha)

 Não só de lindas musas vivem as escolas de samba


..que são um grande espetáculo pop



Fontes: Gente - IG - Portal Folha PE - AFP
              folhaverdenews.blogspot.com

8 comentários:

  1. A seguir estaremos postando aqui informações sobre a história dos sambas enredo mais críticos que parecem estar renascendo no carnaval brasileiro de 2018.


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  2. Você pode colocar aqui a sua impressão dos desfiles e dos sambas enredo, bem como sua opinião sobre esta pauta de hoje do nosso blog de ecologia e de cidadania, se preferir ou precisar, envie sua mensagem pro e-mail da redação da gente, aqui está: navepad@netsite.com.br


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  3. Vídeos, fotos, material de informação, sugestão de pauta, envie diretamente pro nosso editor de conteúdo deste blog padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Quero depois conferir estas informações sobre a história dos samba enredo, me interessa, estou pensando em fazer um CTT na faculdade de Sociologia sobre esse tema": comentário de Maria Helena Bastos, de São Paulo (SP), publicitária.

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  5. "Da mordaça da ditadura aos atuais enredos críticos: a história da sátira política na Sapucaí
    Vítimas de censura nos anos de chumbo, escolas de samba levam protesto à avenida": comentário em matéria de carnavalesco, a nós enviada por e-mail desde o Rio de Janeiro. Confira mais trechos desta informação a seguir.



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  6. "A Mangueira trouxe carro com Rei Momo nú em protesto contra o prefeito Marcelo Crivella, a Paraíso de Tuiuti faz crítica política explícita, sendo que uma refugiada desfila na Portela ansiosa por nacionalidade brasileira Refugiada desfila na Portela ansiosa por nacionalidade brasileira, são diferentes situações que mostram os sambas do carnaval de agora resgatando a sua ligação com protestos e críticas": comentário de Rogério Santos, que nos enviou do Rio notícias e fotos sobre os desfiles deste ano, agradecemos e postaremos por aqui depois, mais mensagens.

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  7. "Desde os anos 60, época ditatorial, os enredos e as escolas de samba foram vítimas de censura ou de pressões. Passados mais de 50 anos, as agremiações entraram na Sapucaí agora com manifestações marcadamente sociais e políticas como há muito não se via. A crítica foi mais contundente em três desfiles. Com 90 anos de fundação, a Mangueira trará o seu primeiro enredo de protesto político, “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco!”, mirando no prefeito Marcelo Crivella. Já a Beija-Flor, com “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, abordou o momento atual do país, tocando em temas como a corrupção. Enquanto a Paraíso do Tuiuti, de “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, tratou diretamente de questões trabalhistas e até políticas mesmo, como a performance representando o presidente Michel Temer como um vampiro do povo": comentário também de Rogério Santos, a quem agradecemos o envio de fotos e informações dos desfiles de 2018 no Rio de Janeiro.

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  8. "Minha sobrinha foi pro Rio com parentes do Leblon e eles saíram com a Banda de Ipanema, não houve violência e lá foi homenageado Martinho da Vila. Isso tem a ver com essa matéria, Martinho falou da Beija Flor e dos tempos da censura e da ditadura, ele foi considerado subversivo pelas suas canções, felizmente, pelo menos nisso, hoje melhorou um pouco a liberdade de expressão, se bem que a mídia continua servil demais aos interesses dos governos e dos poderosos, não da população": comentário de Erismar Silveira, de São Paulo (SP), técnico de Contabilidade em empresas da região.

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