terça-feira, 21 de agosto de 2018

FUTEBOL INDÍGENA É A MODALIDADE MAIS DESCONHECIDA NO BRASIL MOSTRANDO QUE A ARTE DA BOLA ESTÁ TAMBÉM NOS POVOS DA FLORESTA

Este esporte conquistou os indígenas e eles conquistam títulos porque ainda jogam brincando de bola que nem Garrincha fazia e só grandes craques ainda fazem nessa era do futebol business em que a arte da bola não é o principal fator deste jogo que precisa mudar e avançar



A bola rola nas aldeias indígenas...

...em busca da arte do grande Garrincha que era índio da etnia Fulniô de Pernambuco

"No Araguaia Xingu, uma região sem importância no cenário futebolístico nacional, o futebol de campo conquistou os indígenas que começaram a conquistar títulos amadores municipais. Hoje, a participação deles neste esporte é muito maior do que a população das cidades.  Crianças xinguanas e xavantes começam a sonhar em serem jogadores profissionais, para quem sabe, um dia até, servir à Seleção Brasileira", escreve Rafael Govari na sua linda reportagem no site ISA e no jornal O Pioneiro: este é o tema aqui, agora no blog da gente Folha Verde News. Confira e esta situação nos estimula com certeza a mudar e a avançar o futebol brasileiro, que em todo lugar, em todos os clubes, precisa ser enfocado também não só como negócio, mas também como a ecologia e a emoção que tem todo esporte na vida. A pauta de hoje, o futebol indígena nesse país apaixonado pelo jogo da bola.


Equipe dos índios Kricati

Xavantes tradicionalmente bons de bola...

O garoto Urissapa Kamayurá leva jeito

Paulinho ex Corinthians e Seleção é descendente de índios Xukuru


Pobres, negros e indígenas não podiam fazer parte dos primeiros times de futebol no Brasil nos seculos 19 e 20 mas agora em comunidades mais carentes tem surgido muitos talentos da bola. No caso dos índios, Govari lembra que Garrincha era descendente do povo indígena Fulniô, do litoral pernambucano. Mas nem isso fez com que os atletas das aldeias passassem a ter mais espaço nos clubes, "os índios são meio que marginalizados pela na terra em que eles são os pais do país", comenta por sua vez, o editor do nosso blog, Antônio de Pádua Silva Padinha, ecologista e...futebolista como opção de lazer. Bem, mas voltando à reportagem base deste post, ela nos informa que, tradicionalmente, na história do futebol nacional, as equipes que disputam os grandes torneios se encontram no sul e sudeste principalmente, o nordeste logo atrás. Centroeste e norte têm que se contentar com os torneios locais, regionais e com as divisões inferiores. No Mato Grosso, atualmente, o Luverdense, de Lucas do Rio Verde, é a única equipe que disputa a Série B, segunda divisão do Brasileirão. Na série C tem o Cuiabá, o Operário e outros times. Na região do Vale do Araguaia e Xingu mato-grossense, com exceção de Barra do Garças, não há sequer uma equipe disputando pelo menos o campeonato estadual mato-grossense. Pois é, Barra do Garças, onde perto dali tem um ativa comunidade Xavante, etnia que tem mostrado muitos jogadores bons de bola. Em outra região matogrossense, em Canarana, só daa etnia Xavante participaram as equipes Aldeia Caçula, Aldeia Belém, Aldeia Etenhiritipá e Esporte Clube Roncador. Das etnias Xinguanas, as equipes Palu Shayo, Morená, Xingu e Aldeia Culuene. Os jogadores xavantes da Aldeia Etenhiritipá venceu na final a tradicional equipe do Juventus, que era favorita. Como os atletas índios estão se tornando jogadores cada vez valorizados, as equipes de várias cidades já estão contratando alguns deles, desfalcando os times das aldeias. 


 Nas aldeias crianças sonham jogar num grande time...
Xavantinho quer um dia atuar no Corinthians




Em 2010, chegou à região o ex-atleta profissional Maurício Francisco Daghetti que havia jogado  em times como Hapoel de Israel, RKC da Holanda, Monterrey do México e Coritiba do Paraná, também com passagens rápidas por Ajax da Holanda, Milan e Inter de Milão da Itália (uma grave lesão no joelho fez ele abandonar o futebol profissional). Em Canarana, Maurício assumiu a EPAC (Escolinha de Pais e Amigos de Canarana), e criou uma escolinha conveniada do Grêmio de Porto Alegre (RS), atual campeão do torneio continental, a Libertadores da América. Maurício trabalha atualmente com mais de 110 atletas, com mais de 15 jogadores integrando clubes formadores espalhados pelo Brasil. Do seu elenco, em torno de 10 crianças são indígenas. Esse número somente não é maior porque muitas famílias indígenas que moram por ali não possuem condições de pagar a mensalidade da escolinha, que é particular. Teria que haver algum patrocínio. Segundo o ex-craque e professor Maurício Daghetti, os indígenas possuem a mesma habilidade que os demais, até se sobressaem na força física e no comportamento: “Alguns vem das aldeias e demoram um pouco mais para assimilar os conselhos, mas também quando aprendem, dão 100% de si, não faltam aos treinamentos e não usam de malícia”. Na experiência do boleiro Padinha (editor aqui do nosso blog Folha Verde News) que jogou junto ou contra atletas indígenas, em rachas ou em jogos festa, os jogadores índios têm até mais habilidade ou pelo menos mais determinação e maior espírito esportivo, até mais saúde, por incrível que pareça, levando em conta os desafios da sobrevivência dos povos da floresta: "Os índios são apaixonados pelo futebol, se entregam em campo, conseguem atuar mais coletivamente, isso faz com que se destaquem".  A BBC foi um dos sites que enfocou a Olimpíada dos Jogos Indígenas neste ano em Brasília (DF) e os atletas desta competição, em clima de festa e de esportividade, mostraram muita aptidão para variados tipos de esportes, nativos ou do povo das cidades. Os índios não são em geral apenas bons de bola, mas grandes esportistas. 


Raoni, líder Kayapó, vai luta pela ecologia e pelos índios...
 ...assim como os Xavantes de Kamayurá


Um dos atletas mais promissores que Maurício tem em sua escolinha é Urissapa Kamayurá. Ele tem 12 anos, é atacante e torce para o Corinthians. O repórter pergunta: Qual o seu sonho Urissapa? “É ser jogador de futebol”. O menino mora há pouco tempo na cidade, mas desde muito pequeno já jogava bola em sua aldeia, que fica no Parque Indígena do Xingu (PIX). Lá o campão é de terra e eles jogam de pé descalço. Todo mundo joga: homens, mulheres e crianças. Jogam pelo prazer de jogar. "Urissapa bate muito bem com as duas pernas, é habilidoso e objetivo. Em um torneio continental que a EPAC/Grêmio participou no ano passado em Jataí, Goiás, Urissapa fez quatro gols e foi o destaque do time. Ele simboliza o futuro do próprio futebol indígena no país da bola, onde ainda não tiveram chance de mostrar o seu talento nos maiores clubes. "Assim como fez com o futebol feminino, a CBF deveria criar a divisão especial dos índios, algo que revelaria jogadores diferentes, chamaria a atenção da mídia do Brasil e do exterior, conquistando até patrocinadores", argumenta ainda aqui no blog Padinha, que acredita muito no futuro do Futebol Indígena.



Por enquanto, o mundo do futebol pro índio é sonho...

...mas nas aldeias já se fala no Futebol Indígena que pode virar um novo tipo de show de bola 


Fontes: ISA - Jornal O Pioneiro - BBC
             folhaverdenews.blogspot.com.br

6 comentários:

  1. "Jogos parecidos com o futebol já eram praticados há cerca de 3000 anos antes de Cristo na China, mas o futebol moderno, como conhecemos, foi criado na Inglaterra no século XIX. No Brasil, a história conta que o futebol chegou com Charles Miller em 1894. No entanto, pobres, negros e indígenas não podiam fazer parte dos primeiros times": xomentário de Rafael Covari, do site ISA, autor de reportagem antológica sobre o futebol dos índios.

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  2. "O futebol foi se popularizando no mundo inteiro e o Brasil se tornou o ‘País do Futebol’. O melhor jogador de todos os tempos é negro, o ‘Rei Pelé’, que jogou na Seleção Brasileira ao lado do “Anjo das Pernas Tortas”, o Garrincha, que era descendente de indígenas da etnia Fulniô, que habitavam o litoral de Pernambuco": comentário extraído de matéria do jornal O Pioneiro, do Mato Grosso.

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  3. “A participação dos indígenas cria uma grande integração. Eles aprendem com os não índios, que também aprendem com eles”: comentário do secretário municipal de esportes de Canarana (MT), Enio Haas, afirmando ainda que "pelo menos dentro de campo não há preconceito".

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  6. "Por aqui não há centros de treinamento para formação de jogadores de futebol e são poucas as escolinhas públicas ou mesmo particulares. Mas o futebol ultrapassa todas as barreiras, sejam geográficas, culturais e econômicas, sendo capaz de unir em um mesmo gramado, pessoas de diferentes origens, raças, formação cultural. Hoje ops índios já estão formando seus próprios times, isso irá acabar por criar a modalidade Futebol Indígena": comentário de Marcos Mendes, de Cuiabá, técnico em Informática.

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