quarta-feira, 15 de agosto de 2018

INVESTIGAÇÃO FEITA PELA SUÉCIA REVELA QUE AGRESSÕES À ECOLOGIA DA AMAZÔNIA E DOS MARES DO PLANETA TÊM COMO PRINCIPAL RESPONSÁVEL O DINHEIRO VINDO DE PARAÍSOS FISCAIS

Dinheiro oculto e capital que escapa ao controle dos países e governos patrocinam o desmatamento na Amazônia para plantio de soja ou pecuária da carne além de ter conexão direta com a sobrepesca e com a pesca ilegal nos mares do Brasil e de todo o planeta


Agora há mais informação para se tentar barrar duas...

...das maiores agressões ao meio ambiente


Recebemos por e-mail resultados de investigações do SRC (Centro de Resiliência de Estocolmo, Suécia) e também da Interpol junto com a FAO da ONU que mostra que grande parte do dinheiro escondido em paraísos fiscais acaba financiando a pesca ilegal e atividades ligadas ao desmatamento amazônico: a informação chega até ao nosso blog através de matéria de Miguel Angel Criado, repórter do jornal e site El Pais, com sede na Espanha. enfim, se trata também dum megacrime internacional. A descoberta fará com que as agressões diminuam? Esta é a questão que por sua vez levanta a revista Nature Ecology and Evolution, que também quantifica o capital estrangeiro que chega a dois dos setores que mais contribuem para o desmatamento amazônico: a pecuária e a soja, responsáveis por 80% do desmatamento das florestas. Confira a seguir um resumo de todo esse conteúdo por aqui no blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News, pelo menos agora já se começam a investigar as fontes da destruição da nossa natureza, o caminho está ao menos mais aberto para que nossa geração tenha meios de mudar esta realidade. 



A situação da pesca ilegal é alarmante hoje


O levantamento analisou os escassos dados públicos existentes sobre os movimentos desse capital opaco ou oculto nos paraísos fiscais e o seu impacto ambiental. Os resultados mostram também que a maioria dos pesqueiros investigados por exaurir os mares tem bandeira de conveniênciaEnquanto isso, boa parte do investimento estrangeiro na pecuária e no cultivo de soja que estão desmatando a Amazônia procedem de paraísos como o Panamá, ilhas Cayman e Bahamas. Embora não sejam ilegais, são na verdade imorais os paraísos fiscais que atraem capitais privados ou a transferência de lucros entre empresas matrizes e subsidiárias que escapam ao controle dos Estados, prejudicando as sociedades onde esse dinheiro foi gerado, por causa da evasão de impostos. Essa situação causa as ondas de demissões e denúncias políticas sempre que eclode um escândalo relacionado a esses paraísos, como foi o caso do Panama Papers. Agora, esta investigação por iniciativa da Suécia e do SRC mostra que essas jurisdições nebulosas também danificam além da moral o meio ambiente. Combinando dados da Interpol, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a base de dados de gestão pesqueira, os autores do levantamento identificaram por exemplo 299 navios envolvidos na pesca ilegal ou irregular e abusiva nas águas do Brasil e de todos os oceanos. Parecem poucos estes navios piratas em comparação com os 250.000 barcos pesqueiros registrados oficialmente. O que chama a atenção é que 70% desses navios tenham uma bandeira de conveniência de um desses paraísos fiscais, encabeçados por Panamá e Belize. A percentagem é ainda mais significativa levando-se em conta que só 4% da frota registrada na base da FAO da ONU tem  bandeira desses países.. Em resumo, a informação é que 70% dos navios investigados têm bandeira de um paraíso fiscal. 


 Dados de satélites da Nasa foram usados no levantamento 


O levantamento quantifica também o capital estrangeiro que chega a dois dos setores que mais contribuem para o desmatamento amazônico: a pecuária e a soja, responsáveis por 80% do desmatamento da selva. Usando dados do Banco do Brasil, o trabalho mostra que o equivalente a 104,4 milhões de reais de capital externo chegaram às principais empresas desses setores entre outubro de 2000 e agosto de 2011, o período coberto pelos dados. Desse dinheiro, algo em torno de 71 milhões procedia de paraísos fiscais, com as ilhas Cayman à frente. É o luxo de capital estrangeiro procedente de vários paraísos fiscais para os setores pecuarista e sojicultor do Brasil, segundo o STOCKHOLM RESILIENCE CENTRE (SRC): “No Brasil, no conjunto da economia e com relação a 2011, 17% do capital estrangeiro procedia desses paraísos fiscais, mas para o setor pecuarista e sojicultor foi de 68%”, comenta Víctor Galaz, autor principal da pesquisa e diretor-adjunto do deste centro de informações de Estocolmo, na Suécia. Pelo menos agora, temos os dados da realidade.


Agora é mais possível brecar o desmatamento?


(O que há por trás dos paraísos fiscais? De onde vem o dinheiro ricocheteado a partir de lá? Estas e outras informações estão debatidas na seção de comentários aqui no blog da gente, que continua indo à luta para mudar e avançar a realidade socioambiental no país)


A pesca predatória poderá enfim acabar?


Fontes: brasil.elpais.com
              folhaverdenews,blogspot.com



7 comentários:

  1. "Este levantamento também publicado na revista Nature Ecology and Evolution, quantifica o capital estrangeiro que chega a dois dos setores que mais contribuem para o desmatamento amazônico: a pecuária e a soja, responsáveis por 80% do desmatamento da selva. Usando dados do Banco do Brasil, o trabalho mostra que o equivalente a 104,4 milhões de reais de capital externo chegaram às principais empresas desses setores entre outubro de 2000 e agosto de 2011, o período coberto pelos dados. Desse dinheiro, algo em torno de 71 milhões procedia de paraísos fiscais, com as ilhas Cayman à frente": comentário extraído da reportagem de El Pais.


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  2. “Embora o número real de navios seja pequeno em comparação com os registrados pela FAO, são 4% versus os 70%, de toda forma há uma série de irregularidades na pesca irregular. Por exemplo, a Mongólia tem um dos maiores cadastros de navios do mundo, embora não tenham nem um só quilômetro de litoral. Então procuramos na base de dados da FAO para pôr em perspectiva esses 70% e destacamos que era bastante estranho que os navios pesqueiros se concentrassem em jurisdições de paraísos fiscais”: comentário Jean-Baptiste Jouffray, pesquisador do SRC e coautor de todo o levantamento, que resumimos hoje aqui no blog da gente.

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  3. “No Brasil, no conjunto da economia e com relação a 2011, 17% do capital estrangeiro procedia desses paraísos fiscais, mas para o setor pecuarista e sojicultor foi de 68%”: comentário feito no levantamento do SRC.

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  4. "As vantagens dos paraísos fiscais são bem conhecidas: seu know-how jurídico e fiscal, impostos mínimos e opacidade. Mas a razão para setores tão agressivos ambientalmente aparecerem mais conectados que outros com os paraísos fiscais é uma questão para a qual, não temos respostas. O estudo tampouco responde à seguinte pergunta: o que há por trás dos paraísos fiscais? De onde vem o dinheiro ricocheteado a partir de lá?": comentário de Víctor Galaz, autor principal do levantamento de dados e diretor-adjunto do SRC.

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  5. "Os ativistas e estudioso dos agentes por trás do desmatamento amazônico, não devem demonizar os paraísos fiscais. O impacto ambiental provavelmente não seria muito atenuado se não fosse usado esse dinheiro oculto. Afinal, os paraísos fiscais são um veículo para economizar um dinheiro, mas as pessoas não podem simplesmente colocar o foco ali e esquecerem do que fazem seus Governos, bancos, fundos de pensões, a economia privada etc e no final da cadeia, estão os consumidores desse peixe, dessa carne e dessa soja, mas pelo menos estamos no caminho em busca da ética destes negócios": comentário de Javier Gódar, especialista da organização SEI.

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  6. "A tristeza, melancolia mesmo da música do Gil ilustra bem esta situação do dinheiro por trás das agressões ambientais, tem muito para se mudar na realidade, um poeta como ele parece sintonizar o clima desse tempo triste": comentário de Paulo de Sousa, economista pela UFMG e consultor de empresas em Minas Gerais.

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  7. "Discordo do Gilberto Gil, ele faz esse trabalho como se despedisse, como se fosse o último, ele (assim como a ecologia hoje perdida no país e na vida) sobreviverão, gostaria de ver este genial músico e poeta com a energia toda de sua mente jovem e avançada pro nosso tempo tão medíocre e violento, também no setor socioambiental. Parabéns, garoto Gil, 100 anos para você é pouco porque nossa luta é grande demais": comentário do editor deste blog, o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha.

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