quarta-feira, 5 de setembro de 2018

ALÉM DO MAIS 44% DE TODA A MADEIRA QUE É RETIRADA DO PARÁ TÊM FRAUDE NA SUA EXTRAÇÃO CONSTATA PESQUISA DE SEIS CIENTISTAS BRASILEIROS E UM AMERICANO

Fraude na exploração madeireira é uma ameaça a mais para a floresta na Amazônia sendo um problema que se deve também à falta de gestão ambiental e de monitoramento governamental em mais este setor

Megacrime mais claro pós pesquisa da USP

A primeira notícia sobre este estudo inédito e muito importante para indicar o que é preciso mudar em termos de Meio Ambiente em áreas florestais foi dada pela BBC e matéria da jornalista Sabrina Brito no site de revista Veja resumindo a situação nos foi enviada aqui ao blog da ecologia por Eduardo Brito. estudante da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP de Piracicaba em São Paulo): os dados colhidos por este novo estudo, divulgado internacionalmente pela Science Advances, revelam que a extração de árvores por madeireiras na Amazônia tem sido alvo real de falsificações. São muitas as informações e é amplo o alcance desta atividade clandestina no setor, os números mostram que 77% dos planos de manejo no Pará foram fraudados. Confira a seguir aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News os principais dados desta nova face da destruição da floresta amazônica, que já acabou praticamente com a espécie Mogno e agora ameaça o futuro da vida do Ipê. 



O Ipê é hoje a madeira mais vitimada pelo esquema

Cerca de 44% de toda a madeira tropical retirada do Pará, estado de maior produção de madeira da Amazônia, foi extraída de forma ilegal no período analisado, segundo os engenheiros agrônomos Pedro Brancalion e Edson Vital, além do biólogo Saulo de Sousa, todos ligados à Esalq (Escola Sperior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP) que participaram da pesquisa. O Greenpeace já havia alertado há algum tempo sobre a gravidade deste problema (confira aqui no blog um vídeo com este conteúdo). A falsificação e a extração clandestina são muito grandes na região. A pesquisa agora descobriu documentos que comprovam que a quantidade de madeira sendo retirada da floresta é volumosa demais para ser extraída legalmente. Além disso, eles encontraram papéis que identificavam erroneamente as espécies de flora extraídas lá. A fraude facilita a exploração excessiva e contribui para a degradação da floresta, também para a extinção de certos tipos de árvore, como era com o Mogno e agora é com o Ipê, sobretudo na porção leste da Amazônia. A sugestão dos pesquisadores é que o governo mude e incremente outro sistema de controle da extração madeireira, tornando essa atividade mais fácil de se monitorar. No Pará, estado cujo tamanho se equipara ao do Peru, há apenas 55 profissionais com a função de supervisionar esse negócio. O reduzido número de profissionais do Ibama também favorece esquemas de fraude e corrupção, denunciaram os cientistas também na BBC. 

Importante demais esta pesquisa investigativa



"Os madeireiros estão superestimando os volumes de madeira que alegam existir nas áreas que desejam explorar, especialmente do Ipê, que é a madeira mais cara e a mais procurada", comentou o engenheiro agrônomo Pedro Brancalion, pesquisador da Esalq. "Alguns poucos engenheiros agrônomos responsáveis pela vistoria das áreas de mata a ser explorada inflam o volume das espécies mais valiosas. Fazem isso para poder incluir nos carregamentos legais de madeira troncos de ipê extraídos ilegalmente até de reservas indígenas, de áreas de conservação ou nas reservas obrigatórias de mata nativa que cada fazenda é obrigada a manter", falou por sua vez à BBC News o também engenheiro agrônomo Edson Vidal, também da Esalq. Resumindo a tramóia, o biólogo da USP de Piracicaba que também participou do estudo, que se utilizou de imagens de satélites, para comprovações, Saulo de Souza explicou que é a partir da contagem das árvores que o agrônomo tem condições de estimar a quantidade em metros cúbicos de madeira de cada espécie que pode ser extraída num determinado local da floresta. Essas quantidades fazem parte do plano de manejo, que é submetido à aprovação de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Uma vez aprovado o plano de manejo, é emitida uma licença (ou Autorização de Exploração Florestal). Só aí podem ser derrubadas, mas apenas aquelas indicadas no plano de manejo e dentro do volume máximo previsto. O agrônomo responsável deve acompanhar o manejo e colocar placas de identificação, especificando a espécie de cada tora retirada, assim como especificando o toco ao qual pertence cada madeira removida. Enfim, todo este sistema de operação precisa ser revisto e modificado em razão destas denúncias que ecoam hoje por aqui e por todo o planeta. 

Este crime não acontece só no Pará (foto no Acre)


(Confira na seção de comentários do blog da gente mais detalhes bem como mensagens e opiniões sobre mais este crime contra nossa ecologia)



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 FGV revela caminho da madeira da mata até às cidades


Fontes: BBC - Veja Abril - Science Advances - Greenpeace                   folhaverdenews.blogspot.com

8 comentários:

  1. "Divulgamos antes um relatório “Árvores Imaginárias, Destruição Real” que dois terços dos planos de manejo de ipê do Pará têm indícios de fraudes. Agora, pesquisadores da Esalq/USP demonstram em pesquisa inédita que o problema no licenciamento pode ser muito maior envolvendo diversas espécies madeireiras de alto valor comercial exploradas na Amazônia": comentário do Greenpeace.

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  2. "Esta pesquisa completa que acabamos de publicar pela revista aponta que são fartos os indícios de que diversas espécies valiosas de madeira amazônica vêm sendo superestimadas para gerar créditos falsos de movimentação de madeira. Para chegar a este resultado, os pesquisadores analisaram a ocorrência e densidade natural de 11 espécies de madeira no leste amazônico publicados em inventários científicos e governamentais, e compararam com a ocorrência e densidade declarada destas espécies nos pedidos de licenciamento de planos de manejo. A surpresa foi que quanto maior o valor da madeira, maior a quantidade dessa madeira declarada no inventário feito para licenciar o corte": comentário na revista Science Advances.

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  3. “Em nosso relatório, apontamos que existia indícios de fraude em 80% dos inventários válidos para licenciamentos de planos de manejo florestal que continham ipê na mesma região, pois a quantidade de madeira declarada era maior do que havíamos analisado em inventários de florestas nacionais. Os resultados da pesquisa são praticamente os mesmos e ainda demonstram que o padrão é muito parecido para outras madeira de alto valor”: comentário de Rômulo Batista, especialista em Amazônia do Greenpeace.

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  4. "A pesquisa desenvolvida é um marco importante, pois além de mostrar o problema, sugere que os compradores de madeira não devem depender apenas dos governos para reduzir a extração ilegal de madeira. O mercado de madeira e outros setores da sociedade devem exercer mais pressão sobre autoridades para fazer do licenciamento um processo totalmente transparente": comentário no site de Engenharia e Agronomia do Brasil.

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  5. "O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia do Brasil, que controla a atividade dos engenheiros florestais, tem o mandato de punir os profissionais envolvidos na fraude e deve fazer uso dela. Por outro lado, um novo sistema de controle é necessário e seria relativamente fácil de implementar. Os principais problemas atualmente observados no sistema – a falta de consistência e padronização em nomes de espécies, aprovação quase automática do licenciamento sem verificação de campo e falta de integração entre os bancos de dados disponíveis sobre estoques de madeira e distribuições de espécies – poderiam ser parcialmente resolvidos com a criação de um novo sistema de gerenciamento de informações e vistoria de campo antes de licenciar o plano de manejo florestal": comentário extraído do relatório dos pesquisadores da Esalq da USP de Piracicaba.

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  6. "Li a matéria, os comentários, dei uma olhada na BBC e pelo que entendi por exempolo, se numa área tivesse 10 ipês a madeireira punha no plano de manejo 100, aí ficava livre para detonar tudo": comentário de José Pedro Salles, estudante de Biologia na Unesp.

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  7. O estudo “Fake legal logging in the Brazilian Amazon”, disponível apenas para assinantes da revista Science Advances, é assinada pelos pesquisadores Pedro H. S. Brancalion, Danilo R. A. de Almeida, Edson Vidal, Paulo G. Molin, Vanessa E. Sontag, Saulo E. X. F. Souza e Mark D. Schulze.

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  8. "Por tantos anos este mega crime acontecia impunemente e agora que sabemos do esquema, será que haverá punição e controle por parte do Ibama, da Polícia Florestal e do Ministério do Meio Ambiente": comentário de Rita Mendes, de São Paulo, advogada e ambientalista: "As grandes empresas desta operação precisam ressarcir os prejuízos da floresta e da população".

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