quinta-feira, 13 de setembro de 2018

AS CAUSAS DA VIOLÊNCIA SEGUNDO UMA ESPECIALISTA DA USP E DO NEV INCLUEM POBREZA, E DESIGUALDADE SOCIAL ALÉM DA FALTA DE SOLIDARIEDADE

Com certeza os desequilíbrios econômicos também os ecológicos estão na origem do mal de nossos dias por aqui ou em todo o país e planeta: a facada em Juiz de Fora é um sinal de alerta sobre esta situação limite


Pesquisadora da USP e do NEV precisa ser ouvida urgente

Felipe Mahlmeister Ribeiro, do site PUCSP, foi quem entrevistou a psicóloga Sylvia Leser de Mello, que foi professora e continua líder do departamento desta ciência na USP, ela integra também do Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos da Violência (NEV). Sylvia Mello  argumenta de cara que as causas que explicam a violência são muitas, mas começa pensando primeiramente no imenso problema que é a sociedade urbana acolher uma vasta camada da população, uma massa: "Se, por um lado, os grandes centros urbanos e a sua sociedade organizada são capazes até de satisfazer muitas necessidades  até de muita gente, por outro lado se mostram incapazes de acolher tanta gente ao mesmo tempo, é um problema a vasta camada da população, mas essa massa não é a única a sofrer os efeitos  da violência e  da criminalidade”. 


As causas não são apenas políticas como hoje se destaca

Na incapacidade da sociedade urbana de oferecer uma vida material decente para a maior parte das pessoas, muitas delas acabam vendo a criminalidade como uma das poucas alternativas possíveis de realização material. E aí esta alternativa se torna tão mais apelativa à medida que se torna mais comum e a violência se banaliza: “Essas pessoas se vêem obrigadas a estruturar suas vidas a partir dos elementos que encontram disponíveis e alguns deles são ligados ao crime. Vai daí que muitos se acomodam na realidade urbana como podem”. E é aí que mora o perigo.

As crianças estão entre as maiores vítimas da realidade


"Além disso, a desigualdade vivida pela população urbana mais pobre é muito agressiva”, diz Sylvia: "O cidadão urbano pobre não apenas está mais exposto a um abismo material e social que o afasta das camadas sócio-econômicas mais altas da sociedade em que vive. Ele também é obrigado a  conviver com a desigualdade de tratamento dado, por exemplo, pelo sistema repressor e judiciário que poupa aqueles que podem pagar. Este tipo de desigualdade se legitima na hierarquia social que oprime os mais fracos e apóia a espoliação”. Essa condição de vida reproduz uma violência imanente, que é absorvida e assimilada pela população gerando mais violência. Por sinal, a gente aqui do blog da ecologia, da cidadania e da não violência Folha Verde News nesse ponto lembra que a Anistia Internacional e também um relatório nesse tema da ONU já têm alertado que as maiores vítimas da violência policial têm sido crianças, jovens, negros, pobres, da periferia das grandes cidades. 






Para piorar vivemos hoje pseudamente protegidos por um sistema repressor que é legado da Ditadura Militar e que busca conter os índices de fatos violentos através do uso da violência legítima (a praticada sob a bandeira do Estado). Esta forma de combater o crime traz maior aceitação da violência que vai sofisticando-se no mundo do crime organizado à medida que se sofistica nos meios legítimos: “É uma dinâmica de, você bate aqui, eu bato ali, que não supera o confronto e tão pouco o resolve”, esclarece a especialista, que demonstra o contrário, "este tipo de ação legitima um crescente grau de selvageria por parte do crime organizado, que se radicaliza para estar à altura  e mesmo à frente, dado que não segue quaisquer princípios éticos de seus antagonistas, a polícia". 




(Confira a seguir na seção de comentários deste nosso blog outros detalhes, mensagens e informações, inclusive a visão de Sylvia Leser de Mello sobre o papel da Igreja, das religiões, da espiritualidade em buscar caminhos simples mas objetivos em busca de melhor alternativa de vida para os setores do povo que sofrem mais com a realidade de violência)


Fontes: pucsp.br - jornal da usp
              folhaverdenews.blogspot.com
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6 comentários:

  1. "Em meio a toda esta tragédia vejo para a Igreja caminhos bastante simples e concretos. A Igreja tem um potencial muito significativo para lidar com o problema do acolhimento nas sociedades urbanas por ser capaz de organizar e mobilizar as pessoas para promover reflexões e alternativas de vida que sejam construtivas para a coletividade e para as próprias pessoas. A Igreja pode promover a organização e reunião das pessoas para a reflexão e enfrentamento de problemas comuns, por exemplo abrigando fóruns e outras iniciativas da sociedade organizada ou mesmo pode atuar junto à população dando condições às pessoas para obterem renda”: comentário de Sylvia Leser de Mello, da USP e dos Núcleo de Estudos da Violência sobre formas de combater esse mal.

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  4. "A facada de Juiz de Fora não deveria surpreender tanto a grande mídia e as autoridades que há tempos vêm sendo mais de uma vez alertadas sobre a realidade de violência e sobre alternativas para reduzir este problema": comentário de Leonor Marques de Sousa, economista, que se especializou no que chama de "indústria da violência". Ela é de Vitória, Espírito Santo.

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  5. "Peçp que ouço e vejo todos os candidatos a Presidente, com raras exceções, só citam o lado político da violência, a maior parte só fala em prender, polícia na rua, matas bandido, o que mudará mesmo é melhorar a economia, os empregos mudando também o lado cultural": comentário de Débora Mendes, de São Paulo, advogada e pequena empresária que ressalta: "Vi Marina Silva falando alguma coisa assim, o Álvaro Dias, ninguém mais.

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  6. "Sim, mudar a economia, abrir mais empregos, OK, mas o que acho mais difícil é mudar a cultura atual de violência que está em tudo e em todos na realidade": comentário de Álvaro José de Mattos, que é de Salvador, Bahia, mas reside atualmente em São Paulo, no setor de turismo.

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