domingo, 4 de novembro de 2018

AS ÁGUAS DA SERRA DA CANASTRA ATRAEM AMANTES DA NATUREZA OU PESQUISADORES E JOVENS QUE FAZEM TRILHAS NESTE PLANALTO ONDE NASCEU TODA A POVOAÇÃO DO SUDOESTE MINEIRO E DO NORDESTE PAULISTA (CALIFÓRNIA CAIPIRA)

Pequenas cidades da região da Serra da Canastra têm mais futuro que outras bem maiores no interior do Brasil tanto por causa do ecoturismo como pelo cooperativismo na economia que avançou São Roque de Minas, assim como acontece por ali com as suas vizinhas Vargem Bonita, Delfinópolis, Capitólio ou São João Batista do Glória aos pés de todas as chapadas ou matas e faunas nativas de Cerrado (que tem um pouco de Mata Altântica) por ali no planalto que protege as nascentes do rio São Francisco e toda uma riqueza hidromineral desta reserva de ecologia

As águas da Serra da Canastra são uma riqueza maior



Mas há toda uma realidade a ser pesquisada por ali


A 100 quilômetros em linha reta daqui onde moro em Franca (cidade do nordeste paulista) está a principal nascente do rio São Francisco dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra: nestes dias devido ao feriadão de Finados, passaram por aqui alguns jovens a caminho deste santuário do sudoeste de Minas Gerais, eles foram orientados no Rio de Janeiro pela atriz e ecologista Lucélia Santos, que enquanto fora da TV, se dedica entre outras atividades culturais a guia de ecoturismo e trilhas de aventura. "Parece que ela vai apresentar um programa na Band em breve", contou Rodrigo Sousa, formado em economia pela UFRJ que estava com o grupo. Além do interesse pelo ecoturismo, Rodrigo está pesquisando as atividades que ajudam a economia da população das pequenas cidades em torno ou aos pés da Serra da Canastra. O queijo e a cachaça artesanais, pequenos agricultores de café, criadores tradicionais de gado de leite estão no seu roteiro, além das cachoeiras e paisagens, onde habitam últimas espécies de animais típicos da história do interior do Brasil. Durante muito tempo, a Canastra esteve isolada por precárias estradas de terra e só há pouco tempo entrou nos roteiros de viagem como lugar privilegiado para a prática de esportes radicais, vivência ambiental e turismo ecológico. O jovem pesquisador se interessa também por Sacramento, a maior das pequenas cidades da região da Serra, por ela ter um dos maiores orçamentos de toda a macrorregião, devido a royalties das hidrelétricas do Rio Grande. Este outro grande rio da região nasce no Parque Nacional de Itatiaia e passa pela Serra da Canastra, antes de abastecer todo o Sudeste do país com 12 usinas hidrelétricas: "Ali em Sacramento existe um trecho ainda livre do Rio Grande, sem represas que atraem pescadores em busca do Dourado ou do Jaú, peixes quase em extinção por causa das barragens". Rodrigo Sousa consultou ao meu lado no Google mapas da região antes de seguir viagem e ficou de me mandar depois um resumo de suas pesquisas por aqui, apenas começando. Ele queria documentar também a Casca D'Anta, a primeira cachoeira do longo trajeto do Rio São Francisco, uma imagem ícone da Serra da Canastra e do rio que atravessa praticamente todo o interior do Brasil. 



A primeira cachoeira do Rio São Francisco


Trilhas a pé são as mais difíceis e ecológicas...
...e têm mais chance de cruzar com a fauna nativa



O ENCANTO DAS ÁGUAS

“Enquanto tive diante dos meus olhos a Serra da Canastra, desfrutei de um panorama maravilhoso. À direita descortinava uma vasta extensão de campinas e à esquerda tinha a serra, do alto da qual jorravam quatro cascatas". Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) em “Viagem às nascentes do rio São Francisco”




São vários rios e variadas riquezas hidrominerais...


...que sobrevivem na Serra da Canastra (por enquanto)

Aqui no computador onde no dia a dia a gente atualiza o blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, apresentamos para as pesquisas sendo feitas por Rodrigo Sousa uma reportagem "Cooperativismo faz renascer a economia de São Roque de Minas", postada por Helenice Laguradia e também outra no site da revista Revide.  Nesta pequena cidade pouco mais de 6 mil habitantes sobrevivem com a pecuária leiteira, café e agricultura de subsistência, sofrem um êxodo da busca de emprego e escola para os filhos, bancos se negaram a fazer a instalação de uma agência. E foi no cooperativismo de crédito que a terra da nascente do São Francisco fez renascer sua economia. Depois da criação da cooperativa Sicoob Saromcred – que reúne atualmente dez agências em municípios da região – João Carlos Leite comemora: “Se não fosse a cooperativa de crédito, estaríamos mortos, sem futuro, mas agora nestas últimas décadas achamos nosso caminho". A cooperativa investe na produção que gera empregos, que ativa o comércio e cria um círculo virtuoso de crescimento. “Temos colhido em média todo ano 150 mil sacas de café, o que faz um giro financeiro de pelo menos 75 milhões de reais no comércio da região, que pode chegar a 100 milhões, conforme o preço da saca. Na cafeicultura são cerca de 200 produtores, o que dá um parque cafeeiro de mais de 25 milhões de pés de café no município, que tem 20 produtores de frutas e outras atividades e cerca de 400 produtores de leite que fazem uma média de 20 kg de queijo artesanal por dia. Como economista, Rodrigo Sousa se interessa em contar a história desta cooperativa lá na região da Serra da Canastra, onde há 10 agências Siccob e a Saromcred tendo hoje quase 20 mil cooperados após 25 anos de existência, cooperativa não depende somente de dinheiro, mas de gente que participa dela, criando gado, plantando café ou fazendo queijo de Minas. E agora mais recentemente, mantendo pousadas para turistas e jovens que vão fazer trilha na Serra da Canastra, como a caravana vinda do Rio Janeiro, onde estava o pesquisador Rodrigo Sousa. A sua pesquisa é um sinal de vida e de esperança no futuro da macrorregião, tão original como a sua natureza. Ele se interessou também pelos índios Caiapós, os mais antigos moradores da Serra da Canastra, já dizimados, mas isso é uma outra história, uma longa história, que ficou como fantasmas na memória e nas raízes do nosso povo.



O mundo da Serra
Ali junto à nascente do São Francisco




 Está quase extinto o Tatu Canastra

 Lobos Guará ainda habitam grotas e campos
A Serra e o São Francisco ainda perto da nascente


Fontes: serradacanastra.com.br - revide.com.br
              folhaverdenews.blogspot.com

7 comentários:

  1. Além dos objetivos fundamentais do Parque Nacional, de proteger as nascentes do Rio São Francisco, há toda uma história do povoamento do interior de Minas Gerais e de São Paulo, que começou na Serra da Canastra, toda uma riqueza hidromineral e uma ecologia merecendo ser preservada e pesquisada, além duma economia original na região que despertou o interesse do personagem deste nosso post.

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  2. Além do ecoturismo, a Serra da Canastra, sua natureza, as cidades em volta, as suas nascentes e rios, fundamentais para o ciclo das chuvas e o equilíbrio ecológico do sudoeste mineiro e do nordeste paulista, é todo um universo de história e de vida.

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  3. Há problemas como incêndios e queimadas na seca, falta duma maior estrutura na operação do Parque Nacional, mas o que ressalta é o potencial desta reserva de águas e de vida futura para toda uma macrorregião e interior do Brasil.

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  6. "Existe uma economia alternativa e original das pessoas que sobrevivem na Serra da Canastra ainda como nas pequenas cidades em torno dela, isso faz parte da realidade que precisa ser pesquisada, preservada e apoiada tanto quanto a última ecologia de suas águas": comentário de Rodrigo Sousa, economista, do Rio de Janeiro (RJ), fazendo um estudo na macrorregião.

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  7. "Talvez estas cidades pequenas em volta da Serra da Canastra, como São Roque de Minas, sobrevivem melhor porque têm ainda uma natureza melhor integrada a elas, a integração entre a ecologia e a economia é aliás a busca da atualidade": comentário de Maria Laura Salviani, de São Paulo, que relata ter acompanhado pela Rádio USP matéria sobre o rio São Francisco, a natureza e as cidades desta região.

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