domingo, 11 de novembro de 2018

BRASIL PODERIA VIR A SER LÍDER EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO MUNDO DIZEM CIENTISTAS AO LANÇAR RELATÓRIO EM ENCONTRO INTERNACIONAL NO RIO DE JANEIRO

Ecosystem Services Partnership: encontro de toda América Latina lançou documento com um 1º relatório elogiando o potencial da biodiversidade brasileira mas criticando o fato que ela precisa ser assimilada pelos governos e apoiada por políticas públicas por aqui em nosso país como já ocorre hoje em outros países



Há um movimento científico para apoiar a busca do desenvolvimento sustentável no país


Pesquisadores em busca do equilíbrio entre economia e ecologia para mudar e avançar a realidade no Brasil

Recebemos aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News informações sobre este encontro de cientistas, que acontece em vários lugares do mundo, a plataforma brasileira do Ecosystem Services Partnership. Uma de nossas fontes é a matéria da repórter Akemi Nitahara, da Agência Brasil, bem como uma outra, uma resenha completa do evento desta semana, divulgando as primeiras conclusões e que nos foram relatadas por André Julião , da Agência Fapesp.  A seguir, vamos fazer aqui um resumo destes resumos para você ter uma ideia da importância deste conteúdo, no sentido do país avançar para um equilíbrio sustentável entre os interesses ecológicos com os econômicos. Ao apresentar a sua visão, a professora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante afirmou que o protagonismo do Brasil na questão do desenvolvimento sustentável poderia se dar pela biodiversidade que sua natureza tem, uma vez que possui 42 mil espécies vegetais e 9 mil espécies de animais vertebrados, além de 129 mil espécies de invertebrados conhecidos, embora também a lista de espécies ameaçadas de extinção tenha 1.173 animais e 2.118 plantas. 

 O potencial de sustentabilidade brasileira é grande mas os avanços de gestão nesse sentido pequenos

Há muitos pesquisadores e técnicos atuando mas as políticas públicas precisam crescer com urgência


Mercedes Bustamante e outros pesquisadores destacaram que existe também uma diversidade cultural importante em nosso país, que poderia ajudar mudanças e avanços, levando em conta que há 5 milhões de brasileiros que pertencem a comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, caiçaras e ribeirinhos, que dependem diretamente da natureza no seu modo de vida e trazem um rico conhecimento de práticas agroecológicas e medicinais. Essa população ocupa um quarto do território nacional. E deveria ser valorizada e não desprezada ou ignorada pelos políticos e pela população. Na questão econômica, o levantamento ressalta que a biodiversidade do Brasil permite a exportação de 350 produtos agrícolas. E relembra que 70% do consumo de alimentos pela população brasileira vêm não do grande agronegócio e sim da agricultura familiar. Foi também destacado que dois terços da energia elétrica que o Brasil consome são produzidas em usinas hidrelétricas que, por outro lado, dependem da integridade do ecossistema. Somos também o terceiro maior exportador de produtos da silvicultura, com 3,64% da produção mundial: "Infelizmente porém, vivemos uma crise sistêmica global, expressa por várias situações, como a pressão demográfica, a escassez de recursos, as mudanças nos padrões de consumo, o que é chamado de tempestade perfeita de crises simultâneas”, afirma o documento. É urgente que haja avanços para garantir um futuro sustentável. “Para isso, é preciso incorporar a biodiversidade e serviços ecossistêmicos às políticas de desenvolvimento do país, promover o cumprimento das leis, inovar no desenho de políticas que integrem componentes sociais, econômicos e ambientais e reconhecer o papel da ciência como elemento-chave na tomada de decisão”, comentou o professor de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Fabio Scarano, um dos coordenadores do trabalho. A cada ano, os dados científicos trazem novas informações e evidências sobre a urgência de se cuidar do planeta e também do nosso país sob o ponto de vista dos recursos naturais, da natureza, da cultura da vida. Ele destaca que apesar de ainda ter muitas questões para resolver, o Brasil já andou um pouco nesse rumo. País com a maior biodiversidade do planeta, temos por aqui uma legislação relativamente avançada e necessária, possuímos o capital humano e a capacidade instalada para ser líder mundial nos acordos globais para o desenvolvimento sustentável, porém, ainda é essencial corrigir muitos desvios, limites e erros, corrigir rumos e adotar políticas públicas mais adequadas. É o que em síntese aponta o Sumário para Tomadores de Decisão do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos, documento lançado agora pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos (BPBES) em evento no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio de Janeiro. Esta plataforma vem sendo preparada deste 2015 e agora em 2018 reúne cerca de 120 pesquisadores, com apoio financeiro do governo federal e do governo paulista, tendo sido inspirada por um trabalho similar das Nações Unidas. "Estamos formando mais do que um doutor por dia no setor de biodiversidade, o país tem histórico de liderança em trabalhos científicos relativos a acordos globais, tanto na diversidade biológica como no clima, no combate à desertificação e na busca dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas", argumenta Fabio Scarano. Ele mesmo questiona: e então o que falta? "O  país tem ações contraditórias, temos várias leis que não são cumpridas, cerca de 80% do desmatamento no país é ilegal. Temos também a necessidade de se mudar de uma prática mais marrom para uma prática mais verde de produção e consumo". Outros cientistas lembraram também que a iniciativa não deve vir só do Governo, mas também do setor privado, das empresas, para a gente criar um ambiente mais favorável para o Brasil mudar e avançar. Um outro líder do movimento científico, Carlos Joly, da Unicamp, defende que a principal mudança seria dar escala global para soluções locais: “Não é uma construção exclusivamente da academia, de nós os pesquisadores, hoje a exigência é que ela possa estar envolvendo todos os setores. Agora, com essas conclusões, nós temos que tentar ver de que forma tudo isso pode ser implementado na gestão e na realidade do país. Se você senta com o produtor agrícola e explica que manter áreas de vegetação nativa, com a presença dos polinizadores, isso vai aumentar a produtividade em 20% na soja, ele vai entender que tem a ganhar com isso e participar da preservação da nossa última ecologia". 



O movimento ecológico e de cidadania ajuda com a educação ambiental e a informação...

...mas o impasse são os jacarés da política e outros interesses que atrasam a nova realidade 


Fontes: agencia.fapesp.br - Agência Brasil
              folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Temos mais algumas informações e detalhes, aguarde a nossa edição de comentários aqui nesta seção, a seguir, OK?

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  2. Você pode colocar aqui a sua opinião, se preferir, envie a sua mensagem pro e-mail do nosso blog que aí postamos para você, mande para navapeda@netsite.com.br

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  3. Vídeos, fotos, material de informação, pesquisas, sugestão de matérias, críticas a nossas postagens, seja o que for mande sua mensagem pro nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Um dos programas no Brasil é o "Projeto de Recuperação e proteção dos serviços ecossistêmicos relacionados ao clima e à biodiversidade no corredor sudeste da Mata Atlântica do Brasil", resultado da parceria entre os programas Mudanças Climáticas e BIOTA da FAPESP e a Global Environmental Facility (GEF). Estamos trazendo uma novidade que é não focar em apenas um serviço. A pessoa receber, por exemplo, apenas porque está protegendo uma nascente de água. Para preservar essa nascente, foi preciso uma restauração florestal, então isso tem captura de carbono envolvido. Além disso, se a restauração utilizar espécies que são importantes como o abrigo ou alimentação para polinizadores, a manutenção do serviço de polinização também poderá ser considerada no pagamento dos serviços ambientais prestados por aquele proprietário”: comentário de Carlos Joly, cientista da Unicamp.

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