sábado, 15 de dezembro de 2018

KNOW HOW DE SECA: DO NORDESTE E DE TODO SEMIÁRIDO DO BRASIL JÁ EXPORTAMOS PARA A ÁFRICA COMO SOBREVIVER COM ESCASSEZ DE ÁGUA

Jornal e site da Espanha El Pais fazendo reportagem especial sobre a seca no Brasil e no Senegal através de matéria de Marina Rossi direto de Dacar: a gente resume aqui no blog da ecologia e da cidadania os principais enfoques que são de valor para todos nós agora seja lá ou aqui

Nordestinos exportam know how na luta contra a seca que pode ajudar também Sahel na África



Em temas relacionados a esta pauta, El Pais destaca boxes sobre a seca no Rio São Francisco (salgando o café e adoecendo moradores em cidade de Alagoas), relata também que além da escassez de água, o lixo  é o novo foco da crise brasileira, bem como, enfoca a loucura pela água no sertão nordestino. Bem, mas a reportagem de Marina Rossi começa com o agricultor brasileiro Sueldo Vicente de Morais, desenhando com o dedo indicador no chão de areia fofa e alaranjada. Ele tenta explicar como funciona o sistema de tecnologia simples construído em sua comunidade para reutilizar água, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ao redor dele, os olhos atentos de agricultores e algumas autoridades da comunidade rural de Tiamméne Pass, a cerca de 260 quilômetros de Dacar, capital do Senegal, prestam atenção na explicação. "As minhocas consomem os resíduos nesta parte da decomposição", apontava Moraes. "No final do processo, a água chega limpa para irrigar as plantas", finalizou o brasileiro de 46 anos, visto como um mestre da seca, para uma dezena de senegaleses sentados no pé de uma estrutura imensa, usada para captar e bombear água do solo para as famílias do lugar.



Há um oceano entre Sahel e o semiárido do Brasil mas tanto lá como aqui a guerra contra a seca




A alguns quilômetros dali, na pequena aldeia de Ndiana Peulh, essa tecnologia de captação de água não existia. Mas a ausência dela hoje fez surgir outra forma de abastecimento. Sem rede elétrica e também sem água encanada, os casebres de taipa com teto de sapé ficaram ainda menores depois que a grande cisterna, ainda branquinha, foi instalada. Construída em março deste ano, o reservatório é um dos 19 que existem hoje nesse país africano e faz parte da etapa piloto do projeto intitulado Um Milhão de Cisternas para o Sahel. Financiada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em parceria com o governo da Itália, mas a iniciativa é totalmente inspirada no projeto brasileiro de mesmo nome, desenvolvido no início dos anos 2000 no semiárido e que ganhou reconhecimento internacional. E agora, mais prestígio ainda para a luta pela água no sertão do Brasil. 


Na comunidade rural de Tiamméne Pass...



A inspiração na versão brasileira da iniciativa não foi só devido ao seu êxito. O Sahel, faixa que vai de leste a oeste do continente africano, entre o deserto do Saara e a savana do Sudão, é uma área com um clima parecido com o do semiárido brasileiro. Embora algumas regiões sejam ainda mais secas que por aqui no Brasil, por causa das suas similaridades, nesta etapa do projeto, 18 agricultores e agricultoras brasileiros foram visitar algumas comunidades senegalesas onde os reservatórios foram construídos para trocar experiências como a de Sueldo Moraes, numa espécie de intercâmbio. "O mundo aprendeu muito com vocês", afirmou Coumba Sow, coordenadora do time de resiliência para a África Ocidental da FAO. "Eu até poderia falar aos agricultores daqui do Senegal sobre a importância desse projeto, mas é ainda melhor quando os próprios atores dessa transformação falam sobre a força dessa luta".



O Sahel poderia ficar no mapa do nordeste do Brasil



Os agricultores brasileiros são pessoas simples no trato e cheias de conhecimento. Muitos deles nunca haviam saído sequer dos municípios ou estados onde vivem. Recolhem as sementes de melancia do prato do café da manhã do hotel para plantar no Brasil e pedem ao líder governamental, que ofereceu um jantar certa noite, para doar a comida que sobrou a uma das comunidades visitadas. Vieram dos dez Estados englobados pelo semiárido brasileiro (nove do Nordeste e mais Minas Gerais), por meio da ASA, a Articulação do Semiárido, "um movimento de mais de 3.000 entidades e milhares ou até milhões de nordestinos nos bastidores da guerra contra a seca: além da escassez de água, seca também de homens de verdade, no caso, políticos e governos", comenta aqui o ecologista e editor deste blog da gente, Antônio de Pádua Silva Padinha, que mantém também time line no Facebook


O Sahel é também aqui



(Confira também em nossa página videoclip com aboio nordestino e na seção de comentários deste blog da gente, de ecologia e de cidadania, mais trechos e informações da reportagem especial do jornal e site El Pais, da Espanha, importando a luta brasileira contra a escassez de água e a seca de homens de verdade, no que se refere aos políticos de plantão)




Lá como aqui a luta contra a seca, pela água e pela vida



Fontes: brasil.elpais. com

              folhaverdenews.com.br




8 comentários:

  1. "Passaram sete dias viajando em um pequeno ônibus de 25 lugares pelo interior do Senegal, acompanhados pela reportagem do EL PAÍS, técnicos da ASA e um representante da FAO. Embora acostumados com a aridez e a vivência em locais quase sempre esquecidos pelo poder público, sentiram o calor, a secura e a realidade na pele. “Há 60 anos eu fui criado sem saber ler e nem escrever”, disse, emocionado, o senhor Carlos Soares de Menezes, 65, de Monte Alegre, em Sergipe, ao final de um dia inteiro percorrendo aldeias no interior do Senegal. “E ainda hoje tem gente assim. Isso é triste demais, achei que não existisse mais gente assim”, afirmou, após conhecer regiões onde não há escolas por perto. As crianças e especialmente as mulheres locais são analfabetas. “A gente reclama de barriga cheia no Brasil”, concluiu o senhor Sebastião Rodrigues Damasceno, 63, vindo do município alagoano de Santana do Ipanema": comentário extraído de um trecho da reportagem de Marina Rossi, para o jornal e site El Pais, da Espanha, um dos mais importantes da Europa, hoje, por conter matérias críticas.

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  2. "è triste ver que existe seca mais severa que a do sertão do nordeste, onde fui criado. Agora, vivendo e trabalhando em São Paulo, me parece até surreal a realidade no Senegal, mas se o Brasil não tiver gestão ambiental nosso semiárido será pior do que o Sahel, em breve": comentário de Júlio César Alves, cearense, engenheiro civil, morador de São Paulo.

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  3. "Dahra, a 260 quilômetros de Dacar, um dos municípios onde há aldeias que receberam cisterna, está quase na fronteira com o deserto do Saara. Chove, em média, 250ml por ano, menos da metade da média de 500ml registrada no semiárido brasileiro. O vento vindo do deserto faz a areia grudar na superfície da pele melada pelo suor provocado por um calor de quase 40 graus": comentário extraído do texto ao mesmo tempo poético e trágico desta matéria do El Pais.

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  6. "Sempre tinha a missa do vaqueiro por aqui na região do Crato no Ceará, tradição que vem desde o Padim Ciço, pedindo água na seca, mas agora até os vaqueiros estão em extinção": comentário de José Alves Silva, que é de Fortaleza, Ceará, fotógrafo, que nos envia fotos que com certeza vamos postar em nossas matérias, para divulgar o trabalho dele, abraços e paz aí, José.

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  7. "Dahra é uma cidade miserável, de pouco mais de 30 mil habitantes. O asfalto passa somente na via principal e o lixo nas ruas é parte da paisagem das vias de terra. Os animais – galinhas, principalmente, além de cabras e jumentos com as costelas à mostra – dividem o espaço com crianças vestidas com camisas de clubes do milionário futebol europeu, que estão sempre com as duas mãos juntas, em forma de concha, pedindo algum dinheiro. De maneira geral, as únicas construções finalizadas são as mesquitas, que estão espalhadas por todo o país de maioria muçulmana, na mesma medida em que as igrejas evangélicas estão pelo Brasil. O cinza do reboco inacabado das casas no Sahel e o laranja de suas ruas de terra fazem contraste com as vestimentas das mulheres, que se cobrem de panos coloridos e estampados dos pés às cabeças": comentário também da jornalista Marina Rossei na sua reportagem no El Pais.

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  8. "O que mais curti foi uma legenda de foto, o Sahel é aqui, É aqui no Brasil mesmo, onde a seca avança, ao contrário da gestão ambiental": comentário de Valdir Morais, de Ribeirão Preto (SP), produtor cultural e ecologista.

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