segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

UM FLASH DE HUMOR E AO MESMO TEMPO DE TRISTEZA SOBRE O NATAL QUE ADONIRAN BARBOSA NOS DEIXOU E QUE POUCOS CONHECEM NO BRASIL HOJE

Sempre criativo e cantando a vida dos mais pobres Adoniran Barbosa fez uma música sobre o Natal quase desconhecida mas que foi resgatada por Mônica Salmazo (confira aqui a emoção deste nosso vídeo)


Adoniran Barbosa: Papai Noel à brasileira


Luciano Pires, do portalcafebrasil, que faz podcasts de MPB é quem nos lembrou desta composição genial e bem no estilo do Adoniran Barbosa, que a gente aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News escolheu para postar nesse dia de Natal. Ao invés dum texto com a nossa vã filosofia ou mais um debate sobre o sentido maior e quase esquecido desta festa mundial (o nascimento de Jesus) que na prática se tornou quase que apenas um evento de consumo, a gente por aqui resolveu pura e tão somente divulgar esta joia da canção brasileira, esquecida por quase todos em meio a uma realidade comercial demais da música.


Véspera de Natal 
(de Adoniran Barbosa)

Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de Natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada, a criançada chorando,
Mesa vazia, não tinha nada.

Saí, fui comprar bala mistura,
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura,
Me fantasiei de Papai Noel.
Falei com minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
E descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o dingo-bel.
Ai meu Deus que sacrifício
O orifíciu da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros. 


Mônica Salmazo resgatou esta obra prima de Adoniran

Os vaqueiros nas raízes do Natal nordestino



Nesta edição do Natal, enfocado através da poesia e de canções pouco conhecidas (ou esquecidas) da cultura brasileira, a seguir, a letra perfeita de Eliezer Shetton, um mestre do forró, em homenagem à cultura nordestina e natalina do Cordel, sem neve e com seca, sem Papai Noel mas com papai do céu, sem o pinheiro como árvore de Natal e sim com o mandacaru: melhor resgatar este tipo de criatividade do que repetir como um mantra inútil os Jingle Bells da vida... 


Natal de Eliezer Shetton sem pinheiro e com mandacaru


Natal Nordestino
(de Eliezer Shetton)


Eu pensei que todo mundo
Sem primeiro nem segundo
Fosse filho de Papai do Céu
Eu pensei de brincadeira
Numa vida de primeira

Onde eu tenha o que eu queira

De verdade em vez de no papel

Eu pensei e ainda penso
Que o amor e o bom senso

Vão reinar pra gente ser feliz

Eu pensei bem do meu jeito
Que eu também tenho direito

Ao Natal do meu país


Meu pinheiro é meu mandacaru

Com enfeites de algodão

Alpercata no terreiro

Os Reis Magos três vaqueiros

Aboiando no Sertão


Meu pinheiro é meu mandacaru


Cada um é nosso irmão

E o Natal, se verdadeiro,

Há de ter o ano inteiro

Paz na Terra aos bons de coração

E o Natal, se verdadeiro


Há de ter o ano inteiro

Paz na Terra aos bons de coração



Mandacaru, a árvore de Natal do semiárido


(Mais detalhes na seção de comentários aqui no blog também mensagens e opiniões sobre um Natal bem brasileiro e diferente desta festa do consumo)



Fontes: portalcafebrasil.com.br
              folhaverdenews.com.br


7 comentários:

  1. "Eu tive a sorte de me encontrar com Adoniran Barbosa logo que cheguei em São Paulo, com uns 20 anos vindo de Franca em busca de trabalho na área cultural. Vi um senhor no fim da noite bebendo conhaque e o reconheci, ele me deu a maior atenção e ainda o dia amanhecendo, ele me levou à Rádio Bandeirantes e me apresentou o também francano Vicente Leporace. A partir daí,m acabei me entrosando melhor na grande cidade, ele foi uma espécie de meu padrinho": comentário de nosso editor deste blog, o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, contando como conheceu Adoniran numa madrugada, ele que assim como Vinicius de Morais foi um dos últimos boêmios.

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  2. "Depois, anos mais tarde, quando eu já havia feito trabalhos na TV Cultura e no Globo Repórter, voltei a me encontrar com o querido e bondoso Adoniran Barbosa e de novo com a Bandeirantes na parada. O produtor Cláudio Petraglia, da Band, me pediu que eu fosse junto com a Elis Regina a um encontro com Adoniran, na Bela Vista (Bexiga) para a gravação dum videoclip. Ele me reconheceu, nos abraçamos com emoção e o vídeo dele com a Elis foi um sucesso para os dois, ela tentou recolocar este grande compositor no mercado musical, assim como anos depois Mônica Salmazo faria, relançando Véspera de Natal, uma obra prima de Adoniran": comentário também de nosso editor Padinha sobre o nosso Papai Noel à brasileira.

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  3. Logo mais, mais comentários, também sobre o sentido mais verdadeiro e também mais brasileiro do Natal. Você pode por aqui a sua opinião ou se preferir, mande a sua mensagem pro e-mail da redação deste blog que aí a gente posta aqui para você, mande para navepad@netsite.com.br

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  4. Vídeos, comentários, material de informação, fotos, críticas, notícias, você pode também enviar diretamente pro e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca603@gmail.com

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  5. "Fui fazer um programa da semana, era pra ser um podcast sobre Natal. Acabou tratando de Música Popular Brasileira, músicas desta época. Foi um presente para fechar o ano com chave de ouro. Pudemos falar e tocar músicas pouco conhecidas e também outras que você cantou quando era criança, comentando um pouco sobre elas. E no meio, um pouco sobre Assis Valente um compositor brasileiro que era capaz de traduzir ao próximo e a si com muita clareza, mas tinha dificuldades em se relacionar com o mundo. Na trilha sonora um Adoniran Barbosa que nunca foi gravado, Eliezer Setton, mestre do forró, os Golden Boys, Simone, Ivan Lins, Novos Baianos, Roberto Gnatalli, enfiam, coisas lindas da canção nataliana brasileira e também da cultura do nordeste": comentário de Luciano Pires, do Portal Café Brasil.

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  6. "Naquele tempo, Natal era um momento de respeito. Minha avó paterna e suas filhas iam à Missa do Galo e todo mundo ficava contrito, respeitoso. Não havia a ceia de Natal, nem os fogos de artifício de hoje. Faziam uma oração na cozinha da grande casa da rua de terra batida – e lá fora a noite cobria com seu manto cheio de estrelinhas a Noite de Natal, mantendo o mistério da vida intacto. Sabendo que tudo é raro e rápido. Delicado como um cristal.

    Os presentes eram entregues pela manhã do dia 25. Deixados sob a árvore de Natal. Um presente para cada criança. Não o absurdo de alguém ganhar 30 presentes, como aconteceu com meu sobrinho-neto, natais passados. Metade deles estava quebrado no dia seguinte. Sem nenhuma dor pela perda. O comércio que me perdoe. Sei que mantém zilhões de pessoas ganhando um dinheiro. Mas transformar Natal em comércio é imperdoável": comentário de Paulo Pelicano, jornalista, morto há alguns anos no Nordeste em situação ainda não esclarecida, este seu texto nos foi enviado também por Luciano Pires, editor do Portal Café Brasil.

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