quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A ECOLOGIA DO LAGO DE MAICÁ NA AMAZÔNIA ESTÁ SENDO DESTRUÍDA PARA VIRAR UM PORTO DE SOJA ALERTAM PESQUISADORES E ECOLOGISTAS

Um grande conflito entre ecologia e economia na região de Santarém: um polo de desenvolvimento sustentável será possível ali para evitar mais uma grande destruição na Amazônia?  


Os pesquisadores e ecologistas perguntam o que será do Lago de Maicá e de Santarém no Pará?



A gente recebeu por e-mail aqui no blog da ecologia e da cidadania informações a nós enviada por moradores da região de Santarém, na Amazônia Legal, há muita preocupação por lá sobre o que vai acontecer com os peixes, as águas, a ecologia do Lago de Maicá e a sobrevivência da população que ali sobrevive. Pedro Marques nos enviou um texto escrito por Marcos Colón que foi postado no site Envolverde da Carta Capital. Colón é pesquisador ligado à Universidade de Wisconsin-Madison e produtor do documentário Adventure in the Amazon. Em resumo, conforme está no artigo políticos regionais estão alterando o estatuto que rege a vida da natureza e do povo do Lago de Maicá para assim facilitar a construção de complexos portuários para o transporte de soja, um megaempreendimento para facilitar a exportação deste produto, mas em prejuízo das atividades tradicionais de pescadores, de muitas comunidades nativas e do equilíbrio do meio ambiente deste lugar já chamado de floresta gloriosa por cientistas em seus estudos. Agora por ali onde o que está chegando não é bem um futuro sustentável. Confira algumas das informações a seguir. 

Megaprojeto na região do lago de Maicá...

 ...levou também a manifestação da comunidade local

Marcos Colón escreve que um megaempreendimento deste porte e nestas condições ali viola também a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Mostra que a construção  desse grande porto na região do Lago do Maicá, uma área de elevada complexidade ambiental e sede de comunidades tradicionais, pescadores e cerca também de 400 famílias de quilombolas. A região deste lago totaliza ali aproximadamente 1.500 famílias. Maicá é um santuário ecológico, berçário natural de espécies únicas da fauna aquática e aves amazônicas. É também um um polo de visitação turística, uma fonte de renda para as famílias que vivem primariamente da pesca,  que responde por 30% do abastecimento de peixe na cidade de Santarém. Para a arqueóloga Anne Rapp Py-Daniel da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), o Lago do Maicá é um ecossistema extremamente rico, mas também muito frágil e com uma grande dinâmica de formação (terras caídas, terras em formação, aberturas de furos etc.). A presença de grandes navios provocará importantes deslocamentos de água, alterando a dinâmica das correntes fluviais, com risco de destruição acelerada das várzeas mais baixas, por ali onde moram muitas comunidades tradicionais. Acompanhamentos já foram realizados no rio Madeira, outra região de várzea, mostrando o impacto das balsas e navios.  Além disso, a região do Maicá é extremamente importante para a arqueologia, pois abriga o sítio arqueológico mais antigo conhecido do município, o Sambaqui de Taperinha, de 8 mil anos. Também há lá grande número de sítios mais recentes (que possuem entre 500 e 2 mil anos) que ainda estão sendo mapeados, muitos deles identificados pelas manchas de Terra Preta. Na área mais alta ainda temos presença também de comunidades indígenas. A história dessa região não para por aí, ocupações quilombolas estão presentes desde o século XIX, com a adição de nove territórios reconhecidos pela Fundação Cultural Palmares. 

O povo ali vive da pesca artesanal

Santarém do Pará e da Amazônia

Santarém é uma das cidades mais antigas do interior da Amazônia. Localizada diante do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas, foi fundada pelos padres jesuítas, em 1661, durante o processo de colonização portuguesa na região. Desde então, ela tem sido um polo estratégico, começando pela produção do cacau, pecuária, extrativismo, borracha, juta e atualmente predomina a monocultura da soja. Localizada a 475 milhas do Oceano Atlântico, sua posição geográfica é estratégica para o escoamento da produção de soja, seja pela rodovia BR-163, pela hidrovia do Tapajós ou pelo Rio Amazonas chegando ao Atlântico. A construção da zona portuária na região do Lago do Maicá faz parte da estratégia das empresas e produtores de soja da região para o escoamento do grão oriundo do Mato Grosso pela região norte do país, precisamente através do eixo Tapajós-Teles Pires. Lago de Maicá virando hoje uma rota de escoamento do agronegócio. Poderia haver um equilíbrio sustentável entre todos estes conteúdos ecológicos e econômicos?

Lago extraordinário no mapa da ecologia brasileira

Segundo o professor do Instituto de Biodiversidade e Floresta (Ibef/Ufopa), Jackson Rêgo Matos, a resposta é negativa: "A nossa grande preocupação com a construção do porto não é só com o Lago Maicá, mas com toda a cidade de Santarém e região do Rio Tapajós. Essas áreas, incluindo a praia de Alter do Chão, terão sua natureza afetada, tanto pela passagem de caminhões circulando por toda a cidade quanto pelo tráfego de comboios de balsas. Essa logística, certamente, acarretará em mais poluição atmosférica, visual, sonora, além da perda do patrimônio arqueológico, uma vez que Santarém é a cidade mais antiga pré-colonial do Brasil, que abriga um dos mais expressivos sítios arqueológicos das Américas". Além disso, o ecologista Rêgo Matos lembra que a Bacia do Tapajós é a quinta maior da Amazônia e abrange aproximadamente 492 mil quilômetros quadrados, só este  fato por si só, justificaria políticas públicas que garantam a manutenção desse patrimônio da natureza brasileira para usufruto de suas populações e não somente ver a segurança jurídica dos empreendedores. Enfim, todos estes dados resumem o choque da realidade que está se formando não de maneira sustentável, mas colocando em lados opostos a ecologia e a economia, o que compromete o futuro da vida do Lago de Maicá e da cidade de Santarém do Pará na Amazônia. 

(Confira mais informações na seção de comentários do blog da gente, OK?)

O que vai acontecer aqui: destruição ou criação de um futuro sustentável?


Fontes: envolverde.cartacapital.com.br 
              folhaverdenews.com.br
             

10 comentários:

  1. "Os proprietários de soja começam a aparecer num processo de usurpação das terras das comunidades por aqui, geralmente vindos de outros estados, iniciam cultivos extensos na região do Planalto de Santarém. A Embraps surge nesse contexto, a partir do agronegócio na região do Mato Grosso que tem como interesse o escoamento da soja produzida em Santarém, mas que também vê um potencial lucrativo enorme na construção de portos”: comentário de Pedro Martins, ligado à Terra de Direitos.

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  2. "Todo processo teve início aqui quando a Cargill, uma multinacional, empreendeu esforços na construção de um terminal portuário em 1999. A companhia viu que Santarém era um local estratégico para baratear a exportação da soja do Centro-Oeste brasileiro. Políticos locais e até parte da sociedade acreditaram que o porto da multinacional traria emprego, renda e desenvolvimento. Mas foi uma armadilha, com impactos negativos para a população. Os moradores dos bairros periféricos – Pérola do Maicá, Área Verde, Jaderlândia, Jutaí e mais cinco outros – precisarão lidar com uma grande avenida. Com capacidade de tráfego de 800 carretas por dia, pode-se imaginar os acidentes e outros problemas diários. Se essas populações não se organizarem, se nós não estivermos junto com elas na resistência, a destruição de nossa cidade vai se agravar, porque as autoridades não estão nem aí para o respeito às vidas humanas. Esse porto da Embraps na Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago do Maicá pode ser útil para os empresários, mas trará graves prejuízos para o ambiente e para os moradores de Santarém, como já acontece com o porto da Cargill”: comentário de Edilberto Sena, padre e ativista do movimento ecológico e de cidadania em Santarém.

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  3. "Três empresas visam construir empreendimentos portuários no município: o Grupo Cevital, da Argélia, a empresa CEAGRO e a Embraps. O caso da empresa Embraps é significativo, pois seu licenciamento ambiental foi suspenso pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará após ação judicial. A petição partiu dos povos e comunidades tradicionais que vivem na região do Lago do Maicá junto ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Estadual (MPE), que ajuizaram uma Ação Civil Pública contra as ações da Embraps. Na ação foi concedida liminar suspendendo o processo de licenciamento ambiental do Terminal de Uso Privado da Embraps até que fosse realizada a consulta prévia, livre e informada às comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais que serão atingidos pelo empreendimento. A empresa recorreu da decisão no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a liminar foi mantida e o licenciamento ambiental do porto permanece suspenso": comentário extraído do texto de Marcos Colón, no site Envolverde. Ele é pesquisador ligado à Universidade de Wisconsin-Madison e produz documentários.

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  4. Logo mais aqui nesta seção mais informações sobre o que poderá acontecer no Lago de Maicá e em Santarém do Pará na Amazônia, por exemplo, segundo pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

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  5. Você pode colocar aqui seu comentário, se preferir, envie uma mensagem pro e-mail do blog da gente, que aí postamos aqui parta você, mande para navepad@netsite.com.br

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  6. Vídeos, fotos, material de informação, notícias, também sobre a pauta de hoje, você também pode mandar diretamente pro e-mail do nosso editor do blog padinhafranca603@gmail.com

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  7. Aguarde a nova edição desta seção de comentários, venha conferir depois, OK?

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  8. A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) produziu um Relatório Técnico a partir das fragilidades detectadas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Estação de Transbordo do Lago do Maicá, apresentado pela Empresa Brasileira de Portos (Embraps). Contrariando o estudo da Embraps a equipe multidisciplinar da UFOPA demonstra os danos ambientais, arqueológicos e humanos, que, se não forem sanados, colocarão em risco as populações de peixes e fitoplânctons do Lago do Maicá, com danos irreversíveis à vida dos humanos e não humanos da região.

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  9. "A nossa grande preocupação com a construção do porto não é só com o Lago Maicá, mas com toda a cidade de Santarém e região do Rio Tapajós. Essas áreas, incluindo a praia de Alter do Chão, serão afetadas, tanto pela passagem de caminhões circulando por toda a cidade quanto pelo tráfego de comboios de balsas. Essa logística, certamente, acarretará em mais poluição atmosférica, visual, sonora, além da perda do patrimônio arqueológico, sendo Santarém a cidade mais antiga pré-colonial do Brasil, a qual abriga um dos mais expressivos sítios arqueológicos das Américas. A bacia do Tapajós é a quinta maior bacia tributária da Amazônia e abrange aproximadamente 492.000 km2, o que, por si só, justificam políticas públicas que garantam a manutenção desse patrimônio para usufruto de suas populações, e não somente dar segurança jurídica e lucro aos empreendedores": comentário de Jackson Rêgo Matos, professor do Instituto de Biodiversidade e Floresta (Ibef/Ufopa).

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  10. "Acredito que ao invés de porto e navegação, o transporte da soja na região de Santarém poderia ser feito com o uso da energia solar, linhas aéreas de cargas": comentário de Carlos Abrão, engenheiro, que ainda argumenta: "Com tecnologia mais atual e menos agressiva ao meio ambiente é sim possível uma forma sustentável de atividade econômica em harmonia com os recursos da natureza".

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