quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

BARRAGEM TIPO A DE BRUMADINHO JÁ TINHA SIDO PROIBIDA NO CHILE E O BRASIL FOI ALERTADO TAMBÉM SOBRE O ALTO RISCO DE OUTRAS 723 BARRAGENS DE MINÉRIOS PELA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS ENGENHEIROS

Mais barato o modelo de barragem que ainda foi usado em Brumadinho já havia sido proibido no Chile onde o pesquisador David Chambers assim como muitos outros especialistas indicam caminhos para se evitar no Brasil tragédias como estas duas acontecidas por aqui (além de impactarem  muito a ecologia causam sofrimentos à população e acabam atrapalhando a economia)



O Brasil e o mundo nas brumas de Brumadinho


Além da solidariedade às vítimas, a hora é de denunciar os erros e os limites do sistema de mineração no Brasil, bem como de propor soluções sustentáveis a curto prazo, mesmo porque há 723 barragens em Minas Gerais e em outros estados com o mesmo tipo de problema de Brumadinho. Mas não se trata também só de tecnologia, urgente é controlar o lobby das mineradoras e ampliar a fiscalização. Estas são algumas conclusões de matéria e de relatório que a gente recebeu por e-mail, graças a Wellington Ferro, que nos mandou também um relato da Federação Nacional dos Engenheiros, além de notícias do site BemParaná e da FolhaPress. Como o assunto é da mais alta gravidade e da maior importância, vamos a seguir em frases curtas resumir algumas das muitas informações para situar bem você neste tema da hora aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News. Vamos juntos à luta com inteligência para mudar e avançar a realidade também neste setor da mineração, vital para nosso país agora. 



A OAB Brasil exige mudanças no setor de barragens


Mensagem dimensiona a questão das barragens"Fomos surpreendidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho,  onde entrei no site do Senado e propus uma idéia de criações de leis que levem a cassar a outorga da companhia Vale do Rio Doce. Já existiu desastres ambientais onde os envolvidos foram proibidos de atuarem no território onde a tragédia aconteceu. A companhia Vale provou por duas vezes a sua própria incompetência. Provou que não é capaz de trabalhar no território brasileiro com segurança e seriedade. Fiquei surpreso quando ouvi o chefe da casa civil dizer da importância econômica desta companhia, demonstrando desprezo  as vítimas destes sucessivos desastres. Outra lei que viria ao encontro dos anseios dos brasileiros seria uma que proibisse a construção de barragens a montante .Nosso vizinho o Chile já aprovou leis proibindo este tipo de barragem. As barragens a montante são estruturas baratas no entanto extremamente inseguras". (Mensagem de Wellington Ferro de Souza, engenheiro civil ao senador Tasso Jeirissati)


Indígenas e cidades sofrem com a perda da ecologia

 Brasil ainda ouvira o relatório da CDR?


O Chile, principal produtor de cobre no planeta, já proibiu o tipo de barragem, mais econômica mas nada ecológica devido à pouca segurança ambiental, que levou a mais uma tragédia socioambiental no Brasil. (Confira neste blog na seção de comentários outros detalhes desta decisão chilena, bem como, outras informações e mensagens).  

A próxima tragédia no mapa da mineração...


Para o geofísico David Chambers, presidente do Center for Science in Public Participation, uma organização que oferece assistência técnica em mineração e em qualidade da água a empresas e governos, os lugares no Brasil com alto índice pluviométrico deveriam seguir o mesmo caminho: "Não se deve construir barragens do tipo em lugares úmidos, onde a precipitação líquida excede a evaporação. Nestas áreas, o risco de falha é inaceitável e muito grande, ali muitas coisas podem dar errado". (Brumadinho está também neste caso). 

 A falta de segurança ambiental e...

...um alto risco de desastres em 723 barragens brasileiras... 

...há um clamor para mudar e avançar toda a estrutura


O Ministério Público Federal de Minas Gerais, ainda após a tragédia de Mariana, enviou uma recomendação à Agência Nacional de Mineração para que não autorizasse mais novas barragens a montante no Brasil, alegando que a técnica é insegura e segurança ambiental é vital na mineração. Projeto foi apresentado em Minas Gerais que propunha endurecer as leias e as regras de licenciamento para todas barragens de mineração, mas foi vetado em comissão especial da Assembleia Legislativa em julho do ano passado. (Alguns especialistas consideram esta fato uma das causas do que aconteceu em Brumadinho).



O horror de Brumadinho agora está mais claro...


Explicação técnica: a barragem a montante é a erguida por meio de degraus, ficam sobre os rejeitos de minério. Além dela, existem outros dois tipos de construção: a jusante e por linha de centro. A barragem a montante rumo à corrente dos resíduos, forma uma espécie de pirâmide que aí segura a lama. Os alteamentos não são erguidos sobre resíduos, mas a partir do dique de partida. Este método pode ser até três vezes mais caro do que a montante e ocupa mais espaço. Barragem por linha de centro é uma espécie de combinação dos dois tipos citados. E os degraus são erguidos uns por cima dos outros, numa linha de centro vertical. Alguns ficam acima dos resíduos, outros sobre o dique de partida. Apesar de ser difícil apontar o modelo mais adotado no mundo, por questões econômicas, modelos a montante tem sido o mais amplamente usado por mineradoras, pela pesquisa de David Chambers, mas nos Estados Unidos, ao contrário do que se dá no Brasil, as barragens por linha de centro prevalecem por garantirem maior segurança ambiental. 


A ecologia, a economia, as empresas, os governos...

...até a sociedade civil: urgentes mudanças e avanços


Alguns dos rompimentos podem ser encontrados no site do Wise Uranium Project, compila muitos dados relacionados a impactos da mineração. Os acidentes ocorridos na mina de Mount Polley (cobre e ouro), no Canadá, em 2014, e na mina de South Fort Meade (fosfato), nos Estados Unidos, 1994, são alguns dos mais graves já registrados. Mas as tragédias de Mariana e de Brumadinho são as maiores da história. Por enquanto.


Mariana e Brumadinho maiores tragédias do país, por enquanto


As alternativas aos modelos tradicionais de contenção de resíduos hidráulicos têm sido desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Willy Lacerda, que é professor de engenharia geotécnica da Coppe/UFRJ: "A técnica de empilhamento a seco, nela equipamentos reduzem a umidade dos rejeitos, ela deve ganhar espaço. Mas acho que a tendência é que não existam mais barragens e que os resíduos de mineração sejam reaproveitados integralmente, na forma de materiais de construção", conforme também vem sendo pesquisado pelo IPT da USP, tema de outra matéria do blog que a gente fez há 3 dias. 


Há também 55 barragens de minério da Vale de alto risco


Este debate é essencial mas só investir na tecnologia não é suficiente. A fiscalização também deve ser aprimorada, diz Carlos Barreira Martinez, professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Itajubá, defendendo que este monitoramento das estruturas seja feito por engenheiros do Exército, por causa de sua capilaridade pelo país, algo que, segundo ele, já ocorre nos Estados Unidos. Endurecimento da legislação e não flexibilização como é tendência no Brasil é um outro passo necessário, como  destaca Fernando Luiz Lavoie, engenheiro civil do Instituto Mauá de Tecnologia: "É preciso saber o que vamos querer daqui para a frente. Um país com leis mais frouxas e permissivas,gerando um maior risco de ruína, ou algo mais parecido com a opção de países mais desenvolvidos, com leis mais apertadas, que garantam segurança ambiental e uma sociedade melhor".

Os que amam o Brasil e a vida lutam pelo fim disso


As tragédia em Mariana e Brumadinho impactaram a vida de mais de um milhão de pessoas. A pergunta é: quantas delas serão necessárias para que o estado brasileiro cumpra o seu papel, as empresas assumam suas responsabilidades e os direitos das populações atingidas sejam atendidos?. Este é um questionamento que está no relatório sobre a situação das barragens no Brasil que havia sido aprovado no dia 12 de dezembro pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR). A resposta de Brumadinho foi a mais trágica possível. Nesse momento em que uma catástrofe ambiental como a de Mariana (MG) atinge o município de Brumadinho também em Minas Gerais (rompimento de três barragens da empresa Vale, já nesta 5ª feira com 110 mortos e com 238 desaparecidos além de 200 desabrigados) este relatório ganha ainda mais importância.

Fábio Schwartsman, presidente da Vale


De acordo com este relatório da CDR, das 24 mil barragens cadastradas, 723 apresentam um alto risco de acidentes e apenas 3% do total cadastrado já foram vistoriadas pelos órgãos fiscalizadores nos últimos meses. Para 45 barragens, foi indicado algo que impacte a segurança da barragem, a maioria delas com baixo nível de conservação. Entre elas estão também as barragens de Gargalheiras, Passagem das Traíras e Calabouço todas no Rio Grande do Norte, e a de Jucazinho, em Pernambuco. 65% das barragens brasileiras estão em Minas Gerais e pela ordem vem Pará, onde esta atividade cresceu muito por agora, Bahia, Goiás e Santa Catarina. de 24 mil barragens, 3386 correm disco, no caso estão também outras 55 barragens de rejeitos de minério de ferro da Vale, Só orando a Deus para que não aconteçam já  nos próximos meses outras Marianas e Brumadinhos, Outra saída são a pesquisa e a transparência da situação e a luta para mudar esta realidade, que o movimento científico, da ecologia e da cidadania leva adiante, como é o caso desta postagem e de outras aqui neste blog da gente.  


É possivel um sistema de mineração sustentável?


No caso de Mariana, após três anos, ninguém foi preso, nenhuma indenização foi paga, nenhuma casa construída. Quantas Marianas e agora replay com Brumadinho, quantas tragédias serão necessárias para que as autoridades do Brasil cumpram sua função e a Constituição? As megas empresas vão cumprir o seu papel e assumir suas responsabilidades, mudando e avançando um modelo mais sustentável e com maior segurança ambiental? Os direitos das populações atingidas serão mesmo atendidos? O bom senso prevalecerá, com um equilíbrio necessário entre todos os interesses econômicos e a defesa da nossa última ecologia brasileira? As perguntas ficam no ar e as respostas com a história destes próximos anos.


Mudar e avançar a mineração: luta de todos nós

Quer mais um absurdo dos políticos?  O valor máximo das multas às mineradoras, que seria elevado para R$ 30 milhões, por um artifício no Congresso foi mantido em R$ 3,2 mil. Com mais este absurdo (o lobby explica), a punição máxima que a Associação Nacional de Mineração poderá aplicar à Vale pelo rompimento da barragem em Brumadinho será de R$ R$ 3.293,90. (Confira nos comentários aqui no blog da gente)



Fontes: bemparana.com.br  - FolhaPress - BBC
              Federação Nacional de Engenheiros
              folhaverdenews.com.br


9 comentários:

  1. Já temos mais informações, algumas mensagens e atualizações, bem como opiniões a serem postadas aqui nesta seção destes comentários: aguarde a nossa edição, venha conferir aqui logo mais e participe desta luta para mudar e avançar a estrutura da mineração de minérios no Brasil.

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  2. Você pode também por aqui direto a sua mensagem ou se preferir e precisar, envie o conteúdo pro e-mail da redação do blog da gente que postamos p/vc, mande para navepad@netsite.com.br

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  3. Vídeos, material de informação, fotos, notícias, críticas, outros comentários e sugestões, você pode também enviar pro e-mail do nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  4. "O Brasil tem apenas 35 fiscais de barragens de minério. Nesse contexto, Segundo o relatório da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), no ano passado foram aplicados somente R$ 34 milhões nas ações de operação, manutenção e recuperação de barragens, sendo R$ 26 milhões de recursos federais (apenas 23% do previsto) e R$ 8 milhões dos cofres estaduais (73% do previsto). Ele lembrou que a CDR realizou duas audiências públicas com entidade e especialistas sobre o tema — uma em Brasília e outra em Teresina — e todos concordaram que é necessário mais dinheiro para as ações de prevenção, fiscalização e manutenção das barragens": comentário extraído de emissão de rádio em notícia na BBC News.

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  5. Aguarde, venha conferir outras informações, participe com seu comentário.

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  6. "Só agora, 2 anos depois e um espaço entre duas tragédias, uma decisão está sendo tomada pela Justiça de Minas Gerais, ela atende a um pedido ainda de 2016 do Ministério Público para evitar desastres com barragens, acabou chegando tarde demais para Brumadinho. A Justiça de Minas Gerais concedeu uma decisão liminar (provisória) que impede o governo de Minas Gerais de conceder novos licenciamentos para operações em barragens que usem o método de "alteamento a montante". Pela decisão, atividades já existentes nesse tipo de estrutura ficam condicionadas a "auditoria técnica extraordinária". O que significa, na prática, a decisão da Vale de acabar com barragens como as de Brumadinho. Mais 6 projetos de mineração em Minas Gerais pediram o ‘licenciamento rápido' como o de Brumadinho. Tanto a barragem de Mariana (MG), que se rompeu em 2015 matando 19 pessoas e destruindo o ecossistema do Rio Doce, quanto a de Brumadinho, que já deixou 99 mortos, 259 desaparecidos e centenas de feridos, são "a montante". A técnica é considerada mais econômica, mas também mais perigosa para o ambiente e para a população": comentário também extraído do noticiário da BBC.

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  7. Três dias atrás, na matéria sobre busca por uma mineração sustentável no IPT da USP enfocamos este assunto que está na seguinte declaração de uma especialista de renome mundial: "A tendência é que não existam mais barragens e que os resíduos de mineração sejam reaproveitados integralmente, na forma de materiais de construção. A transformação dos resíduos em pasta e o armazenamento dos rejeitos em tubos geotêxteis (que desidratam a lama) são outras alternativas de tecnologia mais avançada que que estas antigas barragens": comentário de David Chambers, especialista no Estados Unidos, ligado Center for Science in Public Participation. Ele está também citado no texto de nossa postagem de hoje aqui neste blog.

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  8. "Entre as recomendações, a Comissão de Desenvolvimento Regional, CDR, pediu que a Agência Nacional de Águas (ANA), instituição responsável por fiscalizar a segurança de barragens de domínio da União, e outros órgãos fiscalizadores intensifiquem o cronograma de inspeções. A CDR exige ainda que o cadastramento de barragens seja acelerado. Isso porque, segundo cálculos revelados pelo relatório, existem mais de 70 mil barragens no país e não apenas as 24 mil cadastradas": comentário extraído de documento da Federação Nacional dos Engenheiros.

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  9. "´E o maior desastre ambiental com barragens? Então, mas a multa governamental é escandalosamente mínima. Comissão do Congresso impediu o aumento do valor das multas aplicadas a mineradoras pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e uma manobra eliminou a exigência para que diretores do órgão regulador tivessem experiência na área que vão fiscalizar. As propostas estavam previstas em duas medidas provisórias enviadas pelo governo Michel Temer. Ao deixar caducar uma delas, o valor máximo das multas às mineradoras, que seria elevado para R$ 30 milhões, foi mantido em R$ 3,2 mil. Com mais este absurdo (o lobby explica), a punição máxima que a ANM poderá aplicar à Vale pelo rompimento da barragem em Brumadinho será de R$ R$ 3.293,90. A multa é quase a mesma que um motorista alcoolizado teria de pagar - R$ 2.934,70. Boletim divulgado nesta quarta-feira, 30, registrou 99 mortos pela tragédia e 259 desaparecidos": comentário de Fabiana dos Santos Soares, do Rio de Janeiro, que nos manda noticiário do site Terra desta quinta feira sobre Brumadinho.

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