terça-feira, 29 de janeiro de 2019

CIENTISTAS DA USP E ADVOGADOS VÊM PESQUISANDO E DEBATENDO SOBRE FORMAS ALTERNATIVAS E MAIS SUSTENTÁVEIS PARA A MINERAÇÃO QUE NÃO TEM HOJE SEGURANÇA AMBIENTAL NO BRASIL

Pós Brumadinho e Mariana a mineração sustentável já é uma possibilidade ou ainda é um sonho mesmo sendo algo fundamental a ser desenvolvido no Brasil?



As duas tragédias exigem mudanças e avanços na mineração no Brasil o mais rapidamente


Já faz dois anos que o IPT da USP (Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo) vem buscando alternativas menos agressivas ao ambiente como são os rejeitos da mineração de ferro, que causaram os dois maiores desastres ambientais do país num espaço de 3 anos, destruindo vidas e a saúde da população também. O processo de mineração e mais a falta de investimentos em segurança ambiental são as causas mais diretas desta tragédias, envolvendo também ausência de fiscalização, omissão ou negligência de autoridades públicas, técnicas e  e governamentais. Uma outra vertente em busca de solução para este setor é a de legisladores e de advogados, neste último caso está o professor de Direito Thiago Loures Monteiro, que atua na Escola Superior Dom Hélder Câmara, ele que é pós graduado pela Fumec. A seguir, aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News a gente resume estas questões científicas e jurídicas, informações sobre pesquisa de rejeitos sendo feitas na USP desde 2016 bem como argumentos que estão em texto do Dr. Thiago Loures Monteiro, como uma forma de estimular os debates e a procura duma solução sustentável para o setor. Um setor em que o problema de gestão virou drama e depois de Brumadinho agora nova tragédia, que pode vir a se repetir devido à estrutura precária da mineração, dos lobbies (confira também o vídeo produzido em Minas Gerais sobre este tema), da fraqueza das leis e da flexibilização das licenças e falhas ou omissão ou conivência na fiscalização dos processos industriais de alto risco: os interesses econômicos prevalecem sobre os ecológicos, o lucro sobre a vida, algo que explica bem o que aconteceu e não pode mais se repetir, como é um clamor no país. Os recursos naturais (como o minério de ferro, no caso) precisam sim ser extraídos, porém, é urgente que isso seja feito com toda a segurança socioambiental, As novas tecnologias e as alternativas de solução podem até encarecer o processo da mineração ou mudar o preço no mercado de exportação mas não se pode mais admitir uma atividade bilionária manter uma estrutura tão pobre e tão precária na extração, colocando em perigo a ecologia já sutil no país hoje e mais, a vida da população. Confira a seguir um resumo deste primeiro debate aqui em nosso blog desta pauta superurgente no Brasil agora.


As tragédias de Brumadinho e Mariana voltarão a acontecer se não houver avanços no setor...

A própria industria da mineração já se preocupa com esta necessidade urgente de mudar e avançar 




Notícia que bombou no site Terra
Dois engenheiros, suspeitos de fraudarem laudos técnicos da empresa Vale, permitindo operações na barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, foram presos na manhã desta terça-feira em São Paulo. A ordem de prisão foi expedida pela Justiça de Minas Gerais. 



É possível uma mineração sustentável e com segurança socioambiental?



Será possível uma mineração sustentável e a segurança socioambiental neste setor?



O IPT da USP pesquisa tratamento de rejeitos como uma solução alternativa e economicamente viável ao sistema de barragens nas mineradoras


A recuperação e a comercialização dos rejeitos de mineração estão entre as possíveis soluções tecnológicas para minimizar o conteúdo das barragens ou mesmo extingui-las. Como segundo maior produtor de minério de ferro do mundo e extrator de outros importantes minerais, o Brasil é também detentor de enormes lagoas de decantação criadas a partir da construção de barragens para armazenar os rejeitos desse processo industrial. A tragédia de Mariana antes e agora a de Brumadinho com o rompimento dessas barragens e consequente contaminação das águas da região, muitas vítimas humanas e todo um caos serve como alerta máximo para que esse problema que virou drama e tragédia seja atacado. 



Hoje há um alerta máximo para novas alternativas mais sustentáveis de mineração


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) iniciou um projeto de capacitação que busca mapear a produção de rejeitos das empresas de mineração e a maturidade das tecnologias aplicadas para sua recuperação e comercialização. Com o mapeamento, em parte já finalizado e outras pesquisas será possível propor rotas tecnológicas para recuperar os rejeitos, levando em consideração as especificidades do cenário brasileiro. De acordo com Sandra Lúcia de Moraes, pesquisadora do Laboratório de Processos Metalúrgicos e coordenadora do projeto, o estudo encontra ressonância tanto na sociedade quanto na indústria. O minério é um agregado rico em determinado mineral ou elemento químico que é viável, do ponto de vista econômico e tecnológico, para extração. No processo industrial é preciso separar este material de interesse de todo o resto, que é descartado como rejeito. Num cenário em que já não há reservas brasileiras de alto teor, essa quantidade de rejeitos só tende a crescer. Recuperar esses resíduos, portanto, possui um fim tanto ambiental quanto econômico, pois é possível dar outra destinação comercial ao que geralmente é descartado, diminuindo também a quantidade de resíduos para o meio ambiente e a insegurança ambiental. 


Este debate está apenas se iniciando no Brasil



A recuperação de rejeitos começa aos poucos a ganhar projeção. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já articularam um plano de apoio tecnológico ao setor de mineração e metais, chamado Inova Mineral. O objetivo é fomentar e selecionar planos de negócios com foco em produção e agregação de valor em minerais estratégicos e em processos mais eficientes e sustentáveis.
As tecnologias para aproveitamento de resíduos também serão contempladas, já que o Inova Mineral leva em conta o declínio dos teores de concentração nas jazidas de diversos minerais e as consequentes oportunidades de aproveitamento dos rejeitos e de redução do impacto ambiental e social na mineração. 




Impactos crescentes da mineração tradicional


(Confira depois mais detalhes sobre pesquisas de mineração no site do IPT e hoje aqui na seção de comentários deste blog)




Expert neste tema advogado debate a necessidade urgente de mudar e de avançar a mineração no Brasil


"É importante refletir se realmente, viveríamos bem, sem a mineração e seus produtos como derivados do minério de ferro", escreve em seu artigo Thiago Loures Monteiro, professor de Direito na Escola Superior Dom Hélder Câmara, que é pós graduado em Direito do Trabalho pela Fumec. Confira um resumo de seus argumentos a seguir.  



Hoje aqui argumentos de Thiago Loures Monteiro


"A mineração é vista por muitos como uma verdadeira maldição representativa do poder econômico e que gera impactos ambientais absolutamente incalculáveis. Só que para um posicionamento coerente, é preciso ver os dois lados da moeda. Deixando a hipocrisia de lado, é importante refletir se realmente, viveríamos bem, sem a mineração e seus produtos como derivados do minério de ferro. A própria aliança de casamento, que em nossa sociedade representa o símbolo do amor e da fidelidade, tem na origem do ouro de seu conteúdo, extração mineral. Assim como os celulares e computadores, que ganham cada vez maior espaço em um mundo repleto de redes sociais e onde a comunicação pessoal foi deixada de lado, por mensagens instantâneas de aplicativos. Inclusive importantes organizações de defesa ambiental, têm sua principal fonte de divulgação na Internet, que para ser acessada necessita de tais equipamentos que utilizam em sua composição, minério de ferro", escreve o Dr. Thiago Loures Monteiro. 



Hoje em várias universidades há uma nova geração em busca de alternativas de avanço para o país

Grandes produções industriais, que reduzem custos e tornam mais acessíveis itens como roupas e remédios, têm em seus equipamentos industriais, significativa quantidade de minério de ferro. Por outro lado é inocência acreditar no discurso de que a atividade mineraria só traz benefícios para a população, ao gerar milhares de empregos diretos e indiretos, movimentando a economia. Além de gerar fortes impactos ambientais e paisagísticos, existem os riscos de danos por acidentes ou ingerência na gestão de riscos, como o caso de rompimentos de barragem de rejeito de mineração. E tais riscos ficaram mais do que evidentes no Brasil agora tragicamente em 2016 e em 2019.

É possível uma mineração sustentável?


Como chegar a uma mineração sustentável? A solução jurídica reside no princípio do desenvolvimento sustentável, que define que a atividade econômica deve ser fundada em um tripé, onde os três aspectos são respeitados simultaneamente: os aspectos ambiental, social e econômico. Um exemplo prático disto são os chamados rejeitos da mineração que compõe as temidas barragens de rejeitos. Por rejeito de mineração, se compreendem as sobras da atividade mineraria, que em princípio, não tem mais como ser reaproveitada. Ocorre que com o avanço da ciência e tecnologia, já foram constatadas várias possibilidades de reaproveitamento destes materiais, como para a confecção de tijolos ou de asfalto em vias rápidas, entre outras alternativas que são ao mesmo tempo viáveis para a ecologia e para a economia. Resta aos órgãos de pesquisa científica e ambiental e ao poder judiciário tirar está discussão do papel, obrigando as mineradoras a investirem no reaproveitamento de suas sobras, para reduzirem os riscos de sua atividade, aumentando a segurança ambiental. O governo precisa promover políticas públicas de incentivo a este reaproveitamento, por exemplo, efetuando a compra de tijolos ecológicos, por meio de dedução tributária, para projetos sociais na construção de casas populares ou mutirões de periferia. "Promovendo assim, em conjunto, tanto estado, empresas e população, pelo menos em princípio, podemos obter uma mineração sustentável. Sendo claro que a obrigação de zelar e fiscalizar pelo equilíbrio ambiental na mineração não acaba com apenas esta atitude, já que todos nós, governo, empresas e cidadãos possuímos o dever de preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, para presentes e futuras gerações", conclui Dr. Thiago Loures Monteiro.


(Confira logo mais na seção de comentários deste blog mais trechos do texto deste professor de Direito e outras informações, bem como mensagens e opiniões, OK?)



Hoje todos queremos, precisamos e exigimos mudar e avançar também no setor da mineração


Fontes: domtotal.com - Enge - IPT da USP - Terra
              folhaverdenews.com.br


10 comentários:

  1. Mudar e avançar a mineração para que a atividade tenha o mínimo de segurança ambiental e social é até uma questão humanitária, tendo em vista o que aconteceu agora em Brumadinho e antes em Mariana: este é o sentido maior da importância deste debate de como tornar esta atividade intensa no país sustentável e segura.

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  2. Estamos postando um texto do professor de Direito Thiago Loures Moura Monteiro que atua na Escola Superior Dom Helder Câmara, mestre na área sendo pós-graduado em Direito do Trabalho e Previdenciário pela FUMEC. O texto na íntegra você pode acessar no site DomTotal que é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE).

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  3. O IPT da USP tentou descobrir no Polo Diamantário de Franca no interior de São Paulo, próximo ao Rio Grande e à Serra da Canastra, uma área de muita hidromineral uma forma sustentável de mineração de diamantes e devido a isso a gente foi em busca agora de alguma pesquisa na área de mineradoras que hoje são muito mais que um problema no Brasil. No site da Universidade de São Paulo captamos umas destas pesquisas para alimentar o debate superurgente hoje no país: é possível uma mineração sustentável e com segurança socioambiental?




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  4. "O montante de rejeitos gerados nos processos de produção de substâncias minerais pode ser estimado a partir da diferença entre a produção bruta e a produção beneficiada. A quantidade de rejeitos, em alguns casos, é igual à da substância produzida. Para cada tonelada de minério de ferro processado, por exemplo, temos cerca de 0,4 toneladas de rejeitos. Projeção para o período 2010-2030 aponta que o beneficiamento de minério de ferro irá contribuir com cerca de 41% do total de rejeitos gerados pelas mineradoras no Brasil": comentário que extraímos do site do Instituto de Pesquisa Tecnológica da USP.

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  5. "Hoje, a forma mais comum de lidar com os rejeitos da mineração é o armazenamento em barragens. O Brasil possui tecnologias, tanto de engenharia quanto de métodos geofísicos, para definir o projeto, a construção e o monitoramento do processo de acúmulo de sedimentos nas barragens, assim como para investigar o estado de conservação das estruturas ao longo de sua vida útil. No entanto, se essa tecnologia não for aplicada, elas seguem oferecendo sérios riscos. O aproveitamento dos rejeitos como um minério de baixo teor reduziria a quantidade de resíduo alocado nas barragens, amenizando as dificuldades de manutenção e estabilidade e, em alguns casos, até mesmo tornando estas barragens desnecessárias”: comentário de Sandra Lúcia de Morais, do Laboratório de Processos Metalúrgicos, do IPT da USP.

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  6. Logo mais, aqui nesta seção, mais informação para o debate, você pode aqui a sua informação ou se preferir, postamos para você, e então envie a sua mensagem pro e-mail da redação deste blog navepad@netsite.com.br

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  7. Vídeos, comentários, material de informação, fotos, mensagens e opiniões, você pode também enviar diretamente pro e-mail do editor de conteúdo do blog padinhafranca603%gmail.com

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  8. É possível uma mineração sustentável? participe com a sua opinião você também: "É sim possível, existe tecnologia e precisa de mais investimentos na pesquisa, além do interesse do setor e dos governos, não fossem estas tragédias a chance de mudar o sistema seria mínima": comentário de Jarbas dos Santos Mainardi, engenheiro, a 1ª resposta que recebemos já agora para nossa pergunta; Mais tarde, nova edição de comentários. Participe e venha conferir.

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  9. "Matéria importante demais e oportuníssima hoje em dia, vou divulgar, depois, apresentar alguma sugestão": comentário de Maria Helena Bastos, do Rio de Janeiro, que se formou em Biologia pela UFRJ.

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  10. "Projeção para o período 2010-2030 aponta que o beneficiamento de minério de ferro irá contribuir com cerca de 41% do total de rejeitos gerados pelas mineradoras no Brasil": comentário que nos é enviado pelo IPT da USP sobre a pesquisa de tecnologia e solução sustentável para a mineração no país.

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