segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ELIS REGINA SE SUICIDOU POR OVERDOSE OU FOI PRESSIONADA ATÉ À MORTE PELOS PROBLEMAS TÍPICOS DA ÉPOCA DITATORIAL NO BRASIL?

Vida de Elis Regina é recontada em minissérie incluindo Rita Lee, Tom Jobin, Milton Nascimento e cenas reais da sua vida e da própria história viva do Brasil naquela época que volta à tona na parte documental da minissérie da Globo a partir desta noite clareando a memória cultural do país



Líder da MPB e de toda uma geração
Elis foi embora precocemente

 Ela foi um dos maiores talentos da música e da vida cultural do Brasil em anos muito dramáticos


No final da década de 70 Elis Regina passou a se apresentar direto no Teatro Bandeirantes, que com seu talento ajudou a inaugurar na avenida Brigadeiro Luís Antônio: a Band era então dirigida pelo Cláudio Guimarães Petraglia, meu amigo e conterrâneo, homem de TV e também músico, através dele e do companheiro de futebol produtor Fernando Faro entrei em contato com ela, que estava à procura de novas idéias para letras e para um novo show. Elis havia gravado a canção "O Bêbado e o Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc (que é também daqui da região, de Igarapava) que acabou virando na prática para os jovens como eu o Hino da Anistia após tantas prisões, mortes e casos de censura no governo ditatorial de então. No exterior, nessa mesma época, ela se apresentou no 13º Festival de Jazz de Montreux na Suíça, batendo um recorde, foi aplaudida de pé por 11 minutos e ainda fez um jam session com Hermeto Pascoal que ficou na história do evento. Depois faria o show "Saudade do Brasil" com dezenas de músicos e de bailarinos, a seguir o inesquecível "Falso Brilhante" no Teatro Bandeirantes também, onde em 81 brilhou no show o "Trem Azul", seu último trabalho, com cenário de um amigo de muito talento Elifas Andreato. Em janeiro de 82 morreu tragicamente. Entre os seus dois últimos shows, eu tive dois contatos pessoais com Elis Regina, um assistindo em São Paulo a seu lado um filme à tarde no cinema Gemini da Avenida Paulista e outro na casa dela, na Serra da Cantareira: eu planejava fazer umas letras e um novo tipo de show, em busca também dum novo estilo de vida para ela, quando numa manhãzinha acordei com a notícia na Rádio Jovem Pan que ela havia se suicidado. O velório e o enterro foram um evento de massa que parou São Paulo e o Brasil, velada no Teatro Bandeirantes (que havia sido a sua casa cultural nos últimos trabalhos) ela estava vestindo uma camiseta que tinha sido proibida pela censura, reproduzindo a bandeira brasileira e ao invés da legenda Ordem e Progresso, o seu nome Elis Regina. Custei a acreditar. O noticiário policial falava que ela se matou por uma overdose. Na minha visão, por todo o contexto do país na época e pelas situações que ela vivia então, creio que Elis não se suicidou pura e simplesmente, foi pressionada até a morte por sofrimentos e por fatos no país que afetaram sua vida e a levaram à morte. Ficou apenas na vontade e na memória o trabalho e o show que eu faria para ela que estava então em busca de novas propostas: o título deste projeto talvez explique melhor o seu conteúdo, se chamaria Felis, unindo o nome desta grande cantora com a alegria de viver, que era a sua busca naqueles momentos. A TV Cultura chegou a pensar em fazer com este título um resgate de Elis Regina, sua família preferiu dar um tempo devido ao calor da emoção daquelas horas e agora, finalmente, baseada no filme de Hugo Prata, de 2016, a Globo preparou uma minissérie, resgatando um pouco do extraordinário valor cultural desta intérprete que morreu precocemente aos 36 anos. A minissérie Elis – Viver é melhor que sonhar, está programada para ser exibida na TV Globo em quatro capítulos que vão ao ar de hoje, 8 de janeiro, até dia 11 por volta das 21h30 e num formato que sai da rotina ou da mediocridade e está sendo definido como um "docudrama", já que o roteiro de Hugo Prata, George Moura, Luiz Bolognesi e Vera Egito mistura flashes do filme com cenas inéditas e com imagens reais do Brasil de então e de Elis, interpretada muito muito bem pela atriz Andreia Horta, repetindo o sucesso de uma performance dela num musical anos antes. Vale a pena conferir este trabalho que finalmente ganha espaço na televisão aberta e também na stream TV, iniciativa muito feliz resgatar a Elis Regina, para mim sempre Felis. (Antônio de Pádua Silva Padinha)





Andreia Horta personifica Elis Regina...
 ...agora na minissérie resgatando o extraordinário valor desta cantora e desta pessoa


(Confira mais informações sobre a minissérie e sobre a maravilhosa trajetória musical de Elis Regina na seção de comentários aqui no blog da ecologia e da cidadania, algo que que ela foi uma pioneira, além de líder da MPB)




Para sempre Felis 


Fontes: g1 - bonde.com.br - radioconti.com.br

              folhaverdenews.com.br 


14 comentários:

  1. Já temos algumas mensagens e comentários, aguarde nossa edição e venha conferir aqui logo mais, OK?

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  4. "O fio condutor do roteiro da minissérie "Viver é melhor do que sonhar" (trecho de letra do Belchior) é uma entrevista de Elis – a última, concedida pouco antes da morte da artista em 19 de janeiro de 1982. A partir da remontagem em ficção desta entrevista e de declarações reais da cantora, os roteiristas construíram a dramaturgia desse documentário dramático que repõe Elis Regina em cena, levantando também fatos da história brasileira recente": comentário extraído de release da Rede Globo.

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  5. "Para muitos, Elis foi a maior cantora brasileira de todos os tempos. Incomparável em técnica e garra, a "Pimentinha", o "Furacão Elis", como era chamada na mídia, ela também lançou compositores como João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Fátima Guedes, Belchior. A primogênita do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho Costa foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos, tal a sua visão da técnica de cantar": comentário extraído do site bonde.com.br



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  6. "Ainda criança a cantora gaúcha em 1956, passou a integrar o elenco fixo do programa, Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Em 1959, assinou seu primeiro contrato profissional com a Rádio Gaúcha também de sua cidade natal.
    Em 1965, venceu o 1º Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com "Arrastão" (Edu Lobo e Vinicius de Moraes). Dois dias depois, estreou no Teatro Paramount (SP) o show "Elis, Jair e Jongo Trio", que, gravado ao vivo, se tornou o LP "Dois na Bossa". Com sucesso do disco, ela e Jair Rodrigues estrelaram o histórico programa semanal "O Fino da Bossa", um dos maiores sucessos musicais da TV brasileira, na Record em SP": comentário extraído do site radioconti.com.br

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  7. "Uma grande cantora, portavoz de poetas, de músicos e de toda uma geração de jovens na época da Ditadura Militar, Elis levou a todo o planeta nosso país e o movimento cultural da época": comentário de José Nunes, professor de Português na rede pública de ensino, no Rio de Janeiro.

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  8. "Na época, jovem e sem saber como, não consegui, nem eu nem outras pessoas da época, este maravilhoso talento da música a encontrar um novo estilo de vida, eu ainda estava iniciando a busca da ecologia, da saúde, da natureza, anos depois ou hoje, eu teria conseguido com a cultura da vida e da não violência estimular uma nova alternativa de vida para a grande Elis superar os limites do seu tempo": comentário do ecologista Anbtônio de Pádua Silçva Padinha, editor deste blog.

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  9. "Todos nós nos sentimos culpados em não termos superado os erros e os limites duma época, esta grande artista foi vítima daquele tempo, isolada pelas circunstâncias do seu trabalho e da sua vida, gostaria de dizer que ela ajudou muito a música e a cultura do Brasil mas o país não soube amar Elis, uma pena, ela poderia e merecia ter sobrevivido ou escapado daquele tempo ruim": comentário de Júlio Esteves, educador ambiental, sócio de restaurante vegetariano na Grande São Paulo, que ainda escreve: "Não tive contato com ela mas sim com a realidade difícil daquela época, no meu caso foi a alimentação vegetariana e a espiritualidade que me salvaram dos limites do meu tempo".

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  10. "Saudades de Elis é o show que vamos fazer em homenagem a ela em Pará de Minas, com o compositor Tunai, que chegou a ser seu parceiro, ele é um engenheiro agrônomo que largou a profissão para ser violonista e violeiro, cantor e compositor": comentário de Maria Bonfim, de Pará de Minas, MG, que nos manda material sobre a sua região, a gente agradece. Paz 2019.

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  11. "Interessante demais a história sobre como nasceu e ficou famosa a canção que talvez seja a mais popular e digamos ingênua ou poética pura, sobre Nossa Senhora Aparecida, feita por Renato Teixeira e imortalizada pela Elis": comentário também de Maria Bonfim, se referindo a um programa da série Globo Rural, fazendo matéria sobre esta música.

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  12. "Sem conexões, acontecimentos se atropelam em cinebiografia meio Wikipedia. A semelhança entre cantora e Andreia Horta impressiona, mas trejeitos cansam": comentário da crítica de cinema e de TV Carol Prado, que escreveu artigo no site G1, em São Paulo, em resumo, colocando que a minissérie, que ela pôde assistir em primeira mão no Rio não cita fatos que são importantes na vida e na morte de Elis Regina, "uma biografia abaixo do valor e do alcance do trabalho cultural da cantora".



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  13. "Outra escolha errada da minissérie Viver é Melhor do Que Sonhar é dar mais destaque aos homens que cruzaram o caminho da artista, alterando seu percurso – até a imagem de sua mãe é suprimida em nome da ideia. A tentativa não é de tirar o protagonismo da biografada, mas mostrar que todos eles foram subservientes a ela. A proposta é arriscada, e funciona só até certo ponto. Às vezes dá a impressão de que o caminho de Elis foi trilhado por esses personagens – quando decide cortar o cabelo, por exemplo, é por sugestão de Bôscoli –, e sua dominância em um universo até então masculino poderia ter sido mais explorada": comentário também de Carol Prado.

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  14. "Tenho outra opinião. Destaco a atuação antológica de Andreia Horta como a personagem-título engrandecendo "Elis". Contar 18 dos 36 anos da cantora em um filme de 115 minutos é tarefa ingrata assumida com competência pelo diretor Hugo Prata": comentário de Mauro Ferreira, que mantém um blog dentro do G1 da Globo.

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